Reforma agrária no Brasil: chegando a lugar nenhum

Nas últimas duas décadas da minha vida (aquelas que vivi) sempre escutei pelos jornais, pelos mais velhos e pelos contra-cultura de plantão que um dos principais problemas do país era a concentração de terras nas mãos dos poderosos. Hoje o assunto não é tão debatido na grande mídia, que considera mais perigoso a concentração de veículos de comunicação nas mãos dos mesmos. Para este problema, a solução é a “democratização da comunicação”; para aquele, é a reforma agrária. Combato o primeiro, e sou receoso com o segundo. Por quê? Pelo contato que tive com o esquema dos sem-terra da minha região; com a lógica que não ajuda a produção de minifúndio; e com as recentes notícias sobre o MST, seus métodos e seus resultados, em parceria com o INCRA. Notícia do Estadão de hoje mostra um levantamento do próprio INCRA que aponta que 38% dos assentados vivem com menos de 1 salário mínimo, principalmente no Nordeste do país. O que parecia um modelo ineficiente, se mostra oficialmente algo sem sentido algum. Reinaldo comenta a seguir.

 

O agronegócio é que alimenta o “povo de João Pedro Stedile”
20/01/2011 às 14:55

A reforma agrária, segundo o modelo do MST, é uma dessas mentiras políticas que sobrevivem porque o movimento é um mito para as esquerdas e um fetiche para os não-esquerdistas – não existe “direita” no Brasil; é coisa considerada pecaminosa; vira alvo de chacota até em minissérie da TV Globo… Os primeiros querem alimentar com dinheiro público um grupo de dinossauros políticos que ainda acredita na luta política à moda leninista; estes outros parecem temer o poder mágico desses revolucionários do dinheiro público e da cesta básica.

Eis que o Incra descobriu (ver post) o que toda pessoa razoável já sabia: o modo adotado de reforma agrária, conduzido, na prática, pelo MST, produz miséria. Nada menos de 38% do total de 924 mil famílias já instaladas em assentamentos  não conseguem obter com seu trabalho nem sequer um salário mínimo por mês.

O “povo de João Pedro Stedile” vive sabe do quê? Da cesta básica produzida pelo agronegócio, que esse leninista de sacristia combate com tanto vigor. Ainda volto ao assunto.

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

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