O que vale no Cristianismo

De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo de sua força própria. (1Cor 1,17)

Há algum tempo eu lia no livro de Miguel Kater Filho entitulado “Marketing aplicado à Igreja Católica” um aviso de tom muito contemporâneo para a Igreja: o “problema” da perda de fiéis para as igrejas protestantes estava nos defeitos do 4º Pê do marketing, a Promoção. Ou seja, a Igreja Católica não havia – de acordo com o autor – se adaptado muito bem aos meios e modos de comunicação dos séculos XX e XXI, algo que as outras haviam conseguido fazer de forma mais completa e interessante. Indo da teoria à prática, não é difícil encontrar por aí gente (católica e não católica) que critique a falta de “traquejo comunicacional” da Igreja, seja por meio do Vaticano, de seus bispos, padres, meios de comunicação, fiéis, etc. Talvez você critique, talvez eu.

O trecho destacado foi retirado da segunda leitura da Santa Missa Dominical de hoje, e serve para entendermos um pouco mais a fé cristã, e principalmente a católica. Quem o escreveu foi São Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios. Paulo era um genuíno orador, e diz a tradição que ele transformava corações em lotes com seus pronunciamentos. Conta os Atos dos Apóstolos que ele falou bem até na Grécia, terra do nascimento da oratória e dos sofistas, seus especialistas. As próprias cartas dele, como essa primeira aos Coríntios, não negam a articulação perfeita de ideias do santo homem. Por que então ele diz que sua única função é pregar a boa nova, sem se valer de recursos de oratória?

Esse é um aspecto particularmente delicado para nossos dias atuais, onde as verdades são cada vez mais voláteis e só se aceita discussões quando ninguém está certo – ou no mínimo o “politicamente correto” definido por sei lá quem. Mas para os cristãos, Cristo é o centro da existência humana. Não somos nós, não é o planeta, não é a ciência. Afinal, não tivesse Jesus nascido da Virgem, morrido na cruz e ressuscitado dos mortos, a imensa maioria de nós estaríamos fadados a não-existência logo logo. Não fosse Ele e – principalmente – seu sacrifício na cruz, talvez ainda tivéssemos dúvidas de quem vence a batalha entre o mal e o bem. Mas Ele mostrou que o Amor sempre vence, por mais que o homem teime em dizer o contrário.

Então quem critica a Igreja Católica de forma tão mercadológica e comercial – como vejo por aí – deve buscar compreender que ela muitas vezes abre mão de outros artifícios que poderia usar para dar destaque apenas para o crucificado, que resume toda a Verdade que o homem precisa entender de sua vida. É por isso que mais do que o blá-blá-blá e os espetáculos que vemos em muitos cristãos por aí, a Igreja prima pela cruz e pela Eucaristia, sinal vivo e atuante dessa cruz. Lógico que existem muitos padres dando show mundo afora e o Papa tem até canal do Youtube atualmente. Paulo também não deixava totalmente de lado sua bela oratória. Mas o valor principal do cristianismo o apóstolo já sabia e nós devemos saber hoje: é Cristo, o Messias crucificado, prova maior de Amor que o mundo já viu. Bom Domingo a todos!

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