O mal existe

Quando pensei nesta nova temática para o blog, do “diaversário”, pensei num estilo de vida equilibrado e completo, onde se pudesse usufruir da vida da melhor maneira possível, sem deixar para amanhã o que pode ser feito hoje e para hoje o que é do dia de amanhã. Mas ideias como essa caem frequentemente no clichê do “aproveite a vida” que volta e meia esbarramos nas propagandas de automóvel na TV. Qual a diferença então da minha teoria para a deles? O que eu digo de diferente daquele professor de literatura interpretado por Robin Willians no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”? Ou defendo o mesmo que eles, onde uma vida bem vivida é aquela onde as regras não pesam sobre nós, e vivemos numa anarquia amorosa onde todo tipo de experiência pessoal é válida, se esta for guiada pela beleza estética da arte e das suas nuances mais subjetivas?

Não, eu não acredito que a principal questão filosófica do “carpe diem” esteja no “belo”, e sim no “bom”. Afinal, o que é bonito muda, de pessoa para pessoa, de tempos em tempos, de lugar para lugar; o que é bom permanece, e não é exclusividade de nosso mundo judaico-cristão, mas está presente em todos os cantos da terra; quem pauta sua vida no Ser Superior, diz que é “sabedoria”; quem não acredita nisso, diz que é “ética”. De qualquer maneira, um “diaversário” perfeito é aquele em que percebemos que fizemos coisas boas, justas e que tivemos uma boa ligação com o outro: marcada pela amizade, respeito mútuo e cordialidade. Não é assim no nosso aniversário, quando reunimos todos aqueles que fazem e fizeram parte de nossa existência e lhes proporcionamos uma festa, recebendo-os em nossa casa, de sorriso no rosto, comida na mesa e disponibilidade para dar risada, chorar e se emocionar?

Um mundo guiado pela busca do belo pode rodar em círculos e não sair do lugar. As veneradas tradições greco-romanas da exaltação do corpo humano e da arte acabaram por encontrar terreno franco e aberto em nossa sociedade contemporânea: este ideal ocidental toma conta do mundo todo, e onde quer que você vá – de Nova Yorque a São Paulo, de Tóquio a Trípoli – verá out-doors da Gisele Bündchen fazendo biquinho para vender lingerie. Nada contra a apreciação da beleza, do bem vestir, bem comer, bem morar; mas muitas vezes isso acaba por ser simplesmente fugaz, ao ponto de não proporcionar ao mesmo tempo um bem conversar, bem relacionar, bem compreender o outro. Abre espaços para as aparências, para o preconceito, para a maldade.

Sim, o “mal” existe, interna e externamente ao intelecto dos homens; na sociedade estamentada e na luta daqueles que querem-na mais justa; nas donas-de-casa e nos partidos políticos; na escola, nos hospitais, nas residências, nas igrejas, nas favelas, nos condomínios fechados. O mal está em todos os lugares onde se valoriza a beleza e a aparência em detrimento da pessoa humana que está naquela etiqueta pré-estabelecida. É um discurso que torna o homem um objeto, utilizável como massa de manobra para uma infinidade de propósitos, inclusive para alguns que clamam pelos próprios direitos humanos!

O homem só estabelece sua existência de forma completa quando está apegado ao bem, o que é verdadeiro e essencial, e quando nega e abomina tudo que é mal, falacioso e superficial. E isso vale para ricos e pobres, doutores e analfabetos, empresários e desempregados, velhos e crianças, homens e mulheres. Como quase todos os aspectos do nosso “diaversário”, é uma simples questão de escolha.

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