Vamos, Obama, decida!

Os levantes contra as tiranias do Oriente Médio provocaram inúmeras reações apaixonadas pelo mundo: “é a revolução digital” ou “iniciamos a democracia virtual, onde todos participam e escolhem o destino da nação” foram ouvidos por aí aos montes. O negócio não foi tão longe quanto os analistas semi-isentos pensavam: os dois governos que caíram foram os únicos, e a truculência está mostrando que ainda tem força. Muanmar Gaddafi está a beira de derrotar seus súditos rebeldes, que de acordo com os jornais já tinham a vitória em mãos. Vendo os países em tantos conflitos, a comunidade internacional está com uma tremenda dúvida: “seriam assuntos internos? Devemos intervir?” A dúvida acaba sendo mais forte sob o homem mais poderoso do mundo, Barack Obama. Colocaram ele lá pra ser diferente de Bush, que já estaria com o canhão na fuça de Gaddafi. Mas ele não faz, nem sai da moita, como diria o ditado. Gente como Reinaldo Azevedo, que sempre foi crítico do presidente norte-americano, estão vendo a prova de suas suspeitas. Será mesmo Obama um incompetente? Leiam o que Reinaldo escreveu e tirem suas conclusões.

17/03/2011

às 17:33

Tomara que os EUA consigam sobreviver ao estagiário Obama!

William Burns, subsecretário de Assuntos Políticos dos EUA, agora diz no Senado que o governo Obama topa qualquer coisa na Líbia, menos a intervenção militar propriamente, a ocupação (…). Deve saber bem por quê. Os EUA travam duas guerras fora de casa no momento. O Oriente Médio, muito em razão da inexperiência do estagiário que está na Casa Branca, virou um turbilhão.

Coloquem os EUA os pés na Líbia, e o mundo islâmico pega fogo. E pegaria por motivos distintos que iriam se combinando para compor o inferno. O extremismo jihadista, que é inimigo de Kadafi no momento, aproveitaria para acusar uma vez mais o Satã de “intervencionismo” —  e convenceria muita gente disso. Os xiitas do Bahrein veriam que a radicalização é mesmo a melhor saída. As massas, em suma, iriam às ruas para que seus respectivos ditadores seguissem o destino de Kadafi.  Em nome da democracia? A monarquia saudita entenderia que seus dias poderiam estar contados, com ou sem radicalização da repressão. O único país “estável” da região seria o… Irã!!! É o preço da diplomacia do vôo da barata: atabalhoado e impreciso.

O “qualquer coisa” aí pode incluir a chamada “zona de exclusão aérea”, a que o país vinha resistindo. É preciso ver se “parceiros” como Rússia e China aceitam a decisão, agora que, segundo o próprio Burns – nomezinho sugestivo o dele… -, Kadafi está às portas de Benghazi, símbolo do “poder rebelde”. O subsecretário expressou um outro temor: que Kadafi volte ao terrorismo caso se sagre vitorioso. Em entrevista ao jornal italiano Il Giornale, na terça, o tirano líbio afirmou que suas forças se aliariam à Al Qaeda em caso de derrota… Pura bravata?

Todos conhecemos a expressão “jogar fora a criancinha junto com a água suja”. Ela é uma metáfora para indicar inabilidade ou, digamos, hipercorreção do indivíduo saneador. Está de tal sorte ocupado em se livrar da água suja — e isso é um mérito — que não mede o custo de sua ação. Entre esses custos, pode estar a obter um resultado contrário ao pretendido. Afinal, joga-se a água servida para proteger a criança. Mas é preciso, antes, retirá-la da banheira. Não foi o que Barak Obama fez no Oriente Médio. As ações americanas investiram e investem na desestabilização de aliados (ou ex-aliados) com problemas sem ter uma previsibilidade mínima do que vem depois.

O sr. Burns tem razão. Se Kadafi ganha, será péssimo para os EUA e para o mundo. Nas circunstâncias atuais, se ele perde, também! Obama é hoje o retrato do asno sedento e famélico, incapaz de decidir entre a água e o feno. Morrerá de sede e de fome. É óbvio que a fala do subsecretário é um flerte com a zona de exclusão aérea, mas também pode ser um aceno, ainda que um tanto atrapalhado, para um Kadafi vitorioso…

PS – Digam cá pro Tio Rei: um governo responsável, conduzido por profissionais da política, daria uma declaração como a de Burns, deixando claro que a maior máquina militar do mundo está sem saída, levando um olé de um bandoleiro assassino? Tomara que os EUA sobrevivam a Obama!

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

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