Defendamos nossas cores

A tentativa de reduzir no espaço de um dia de vida tudo aquilo que necessitamos para sermos felizes é algo desafiador e interessante; mas para celebrar de maneira intensa e completa o “diaversário” é necessário que saibamos exatamente o que queremos de nossas vidas, quais são as ideias que nos atraem, o que não vale a pena viver, o que faz parte da nossa personalidade. Sem esse tipo de norteamento, ficamos como a história do burro sedento e faminto (muito contada pelo Reinaldo) que tinha capim e água, mas por não saber qual deles consumir primeiro, morreu de fome e de sede.

Essas ideias que fazem-nos decidir o que é “joio” e o que é “trigo” em nossas vidas são os chamados valores, que foram sendo incutidos em nossa vivência, intelecto e caráter no decorrer da nossa vida. Alguns foram adquiridos já na infância, de acordo com a educação que nos foi dada pelos pais; outros foram nos trazidos pela ciência, fruto do trabalho das escolas, professores, bibliotecas (até virtuais) que já freqüentamos; por fim, o mais importante, são os valores morais e espirituais, que transcendem a existência humana, que nos dão o motivo de continuarmos vivendo dia após dia.

Nos tempos atuais, os tais “valores” estão perdendo força, sendo o termo considerado algo ultrapassado, imposto por aqueles que se colocaram como nossos “responsáveis”, que nos tutelaram. Aparentemente, falar em pressupostos vai de encontro com as várias revoluções vividas no fim do século XX, como a sexual, moral e artística. Entretanto, é necessário perceber que existem, sim, certos conceitos que pautam a nossa maneira de agir, como nos relacionamos com as pessoas, como encaramos as dificuldades do caminho, como nos impõem as grandes questões da vida. O próprio desejo de viver “sem valores” representa um conceito.

E se até o anarquismo tem bandeira, devemos também definir qual é a nossa, não para desrespeitar quem não defende as mesmas cores e pensar que nossas verdades estão acima de quaisquer outras; mas para podermos inflá-la, e utilizá-la para lutar pelos nossos anseios num mundo onde tudo se torna relativo. Termos consciência de qual é a pátria que o “exército de um homem só” que somos defende é fundamental para sabermos de quais atividades e exercícios precisamos para viver um dia feliz e completo; e assim uma vida da mesma forma.

E que nenhuma atividade de nossos dias se posicionem fora desse arcabouço teórico de nossa existência, pois todo tipo de crença que é defendida apenas em momentos oportunos é falsa e facilmente abandonada. Afinal, pra persistir no “diaversário” é necessária a força da constância. E só conseguimos ser constantes se tudo o que fazemos converge para o mesmo fim, ou seja, quando não usamos máscaras. Somente uma vida inteiramente una – no trabalho, nos estudos, na família, nos amigos, no lazer – é concreta e intensa o suficiente para nos dar a alegria de despertarmos todas as manhãs dispostos e alegres.

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