Internet: terra sem lei. Até quando?

A internet foi realmente revolucionária nos últimos anos. Proporcionou livre acesso a uma infinidade de informações que antigamente eram restritas a determinados ambientes; abriu também novos canais de transmissão, especialmente nas telecomunicações, diminuindo custos para contatos à distância, chegando a zero; houve também, de maneira mais latente do que real, a possibilidade de aumentar a liberdade de expressão (os blogs, como esse aqui, seriam a maior prova de que qualquer grupo poderia mostrar sua voz ao mundo). Um outro fenômeno muito aclamado são as redes sociais, que criariam uma nova realidade de “aldeia global”, onde interesses poderiam se encontrar e se unir, tanto para o lazer quanto para ações práticas no mundo real. A questão é que toda essa liberdade apresenta riscos, na virtualidade e na realidade. Texto do New York Times de hoje mostra as duas faces das ações políticas nas redes sociais; o que pode ser usado para o bem, também pode causar morte e destruição (e não estou falando de perfis de Facebook). É imperativo que crie-se uma regulamentação para esse terreno até agora sem rédeas nem limites, para evitar que abusos, como práticas terroristas, sejam suportadas por ele.

 

Ativistas sociais desafiam consciência da mídia social

Por JENNIFER PRESTON
Dois dias depois de usar o site Flickr para exibir fotos de policiais da temida força de segurança estatal egípcia, Hossam el Hamalawy assistiu, sem poder acreditar, enquanto elas desapareciam uma a uma do popular site de rede social.
“Pensei que estava sendo hackeado”, disse Hamalawy, um conhecido blogueiro e ativista de direitos humanos egípcio que havia colocado as fotos de policiais tiradas de CDs encontrados no quartel-general da polícia de segurança em Nasr.
Depois, ele soube pelo Flickr que as imagens foram removidas porque não foi ele quem tirou as fotos, uma violação das regras comunitárias do site. “Isso é ridículo”, ele disse. “O Flickr está cheio de relatos com fotos não feitas pelas próprias pessoas.”
Construído como uma plataforma para fotógrafos amadores e profissionais mostrarem seu trabalho, Flickr é uma das redes de mídia social que são cada vez mais usadas por ativistas e forças pró-democracia, especialmente no Oriente Médio e no norte da África.
Esse novo papel da mídia social colocou essas empresas em uma posição difícil: como acomodar seu crescente uso com fins políticos.
O Flickr não se declarou sobre seu papel entre os ativistas do Oriente Médio que usam o site. Mas o Facebook hoje está sendo levado para o conflito israelense-palestino.
Yuli Edelstein, um ministro israelense, enviou uma carta ao principal executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, pedindo-lhe para retirar uma página do site chamada “A Terceira Intifada Palestina”. A página, que conclama a uma rebelião em maio, tem mais de 240 mil membros. Até agora, o Facebook não retirou a página. Os administradores não defendem a violência, disseram diretores.
Desde 2008, Hamalawy achou o Flickr tão útil que até montou um manual em árabe. Ele carregou as fotos da polícia na esperança de que mais pessoas publiquem informações sobre policiais que participaram de espionagem, abuso e tortura.
Ebele Okobi-Harris, diretor do programa de direitos humanos do portal Yahoo, que é dono do Flickr, disse que houve discussões sobre se o site deveria reconsiderar sua abordagem. “Precisamos começar a pensar em criar regras que também facilitem o uso dessas ferramentas pelos ativistas de direitos humanos”, ele disse.
Um desafio é se a companhia deve manter seu compromisso de permanecer neutra sobre o conteúdo, mesmo que material politizado possa ofender usuário ou colocar pessoas em risco.
Depois que o Flickr retirou as fotos de Hamalawy, este recebeu ajuda de membros do Anonymous, um grupo de hackers ativistas de afiliação imprecisa, que o ajudaram a usar o sistema de fotos do Google, Picasa, para colocar novamente na rede as fotos dos oficiais da segurança egípcia.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1104201112.htm

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