Conhece-te e faz bom uso de ti mesmo

Não gosto muito de falar de coisas inatas, de genética, de “fulano puxou sicrano”, etc. Mas é inegável que nós temos dotes individuais, e é isso que nos faz diferentes uns dos outros. Tudo bem que certas habilidades foram aprendidas na escola, em casa ou num curso, mas é óbvio que existem pessoas com certas facilidades para fazer algumas atividades e dificuldades noutras, o que pode ser o oposto de um outro alguém. Isto deve ser pensado de maneira tranquila (não entrar em desespero pensando “qual é meu dom? Pra quê fui feito?”), mas é de fundamental importância para vivermos bem nossa vida, mesmo na manutenção de um bom “diaversário”. Afinal, há coisa mais traumatizante e angustiante que buscar fazer algo e não conseguir? Perceber que se é extremamente estranho a determinado ambiente?

Antes que seja tarde, preciso dizer: esse tipo de ideia não deve nos deixar cair no comodismo de pensar “isso não sei fazer, portanto deixa pra lá”. Estar satisfeito com seus próprios dons e personalidade é diferente da preguiça de aprender coisas novas e mudar. Existem atividades necessárias no nosso cotidiano, que fariam muito bem para nós, e pode até ser custoso aprender, mas o resultado compensa; cozinhar, ler, dirigir são exemplos; até porque não precisamos virar chef, nem doutor das letras, nem um piloto profissional. Outro fator são os erros – ou no vocabulário da Igreja, pecados – que cometemos, pedaços de personalidade que só nos causam mal e aos outros. Também aí há espaço para mudança; até mesmo na velha desculpa “tenho estopim curto”: posso garantir que se isso não pode sair de nós, pode ser ao menos atenuado.

Estou falando de áreas de interesse e facilidade na nossa personalidade e – principalmente – do nosso desejo de perseguí-las e dominá-las. Esse tipo de insistência só causa dor, angústia e pode provocar até patologias, como depressão e até desvios psíquicos. É tão bonito perceber que existem aqueles que tem facilidade para a comunicação, outros para o cálculo, outros para a escrita, etc. E todos se dão bem; mais: se complementam. Como diria São Paulo: há diversidade de dons, mas o Espírito que os alimenta é o mesmo. Penso que Deus nos cumulou de tantas habilidades diferentes exatamente para nos unirmos e contruirmos um mundo novo, completo. Mas não: aqueles que as tem, muitas vezes as negligenciam; outros tem inveja e querem a morte do outro que é melhor em algo; outros ainda se engradecem por ter determinado saber; o resultado só poderia ser uma Babel desmoronando sobre nossas cabeças.

Proposta: vamos tentar nos conhecer melhor. Uns aos outros, mas também a si mesmo; olhar para o passado e para o presente e ver até que ponto estamos investindo em coisas que nos agradam e chorando por resultados que nunca virão. No fim das contas, o que fica de tudo isso é simplesmente humildade, sabermos nos colocar em nosso lugar. Para regular bem nosso “diaversário” não podemos querer abraçar o mundo, nem ficar parados pensando que não temos valor. Temos sim, e sem nossa contribuição a conta não fechará. Felizes com o que fomos presenteados e conscientes do bom uso que devemos fazer de nossa existência, tudo fica mais leve, tranquilo e em paz. E aí poderemos viver nossas vidas sem remorsos, pensamentos obtusos, tempo perdido e lágrimas derramadas sem razão.

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One Comment em “Conhece-te e faz bom uso de ti mesmo”

  1. Alice Says:

    Nossa Vini, esse ficou muito lindo.
    Parabéns!


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