O remédio pra burrice é a crença

Então Jesus lhes disse [aos discípulos de Emaús]: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!” – Lc 24,25

Jesus ressuscitou dos mortos; uma notícia que até hoje faz muita gente ficar de boca aberta, não deveria ser motivo de tanta surpresa por parte dos discípulos, já que não tinham sido poucas as vezes em que o Cristo havia predito essa situação, inclusive citando profecias de tempos antigos que se referiam a Ele. Ainda assim, eles não entenderam; poderíamos dizer que ficaram completamente “boiando” na situação, sem saber pra onde ir e o que fazer. Deste cenário surge a frase acima dita pelo próprio Mestre àqueles seus discípulos que não o haviam reconhecido ainda: “como sois sem inteligência!” Chega a parecer um tanto quanto rude, mas se dermos uma olhada mais atenta ao nosso cotidiano, parecerá fazer perfeito sentido.

Fazendo ainda uma analogia com a Paixão e Ressurreição de Jesus, todos nós já passamos e sempre passaremos por momentos assim, onde toda a nossa esperança, tudo o que nós achávamos bom e bonito, o motivo maior de cada nova aurora, o que nos unia e guiava deixa de existir. É quando a força da morte e da decepção parecem esmagadoras perto de qualquer reação, e a fragilidade do ser humano é o único tom presente em nossos discursos. Quantas lamentações e quanta tristeza, nessas horas que parecem eternas. Por que será que não conseguimos olhar adiante, nem sequer imaginar que aquilo é passageiro? E por que todas as coisas ditas e vividas até então parecem sumir da memória?

Pois o homem e a mulher previdente – e creio que nós somos, na medida do possível – utiliza seu tempo de felicidade e saúde para planejar e se preparar para possíveis trevas que um dia virão. Assim foi Jesus, dizendo várias vezes aos apóstolos: “eis que estou convosco, e logo não estarei mais”, ou algo assim. O fato de estar bem faz com que volta-e-meia lembremos de quando estivemos mal, e tememos que aquilo possa voltar. E a capacidade do pensamento humano é tão forte que podemos certamente nos abalar só com pensamentos vadios desses que aparecem meio sem querer; mas são fatos reais e imprevisíveis que fazem com que tudo mude.

Se sabemos que a felicidade – ao menos aqui nessa vida – não é eterna e que está propensa a altos e baixos, o que podemos fazer para passar pelos momentos tenebrosos sem parar demasiadamente neles, ali se perder ou deixar um pedaço de si? Primeiro: realmente arrecadar mantimentos físicos, mentais e espirituais, preparando-se sempre para os imprevistos; segundo: ler o sinal dos tempos, sempre se perguntando “o que realmente está acontecendo?” e “o que isso quer dizer?”; terceiro e principal: ter fé. É certo que era impossível dos discípulos terem certeza que Jesus Cristo ressuscitaria dos mortos; poderiam – no máximo – acreditar e ter fé naquilo. E isso os movimentaria, levaria adiante, espantaria a tristeza. A cada dia que passa percebo que a inteligência não está no que sabemos, mas sim nas certezas onde colocamos a nossa crença.

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