Há espaço pra vida religiosa no século XXI?

“Virar padre”: isso soa como chacota no ouvido de muito rapaz jovem de hoje em dia. “Virar freira” é algo inconcebível para uma mente adolescente feminina do século XXI. “Ser monge” parece coisa inexistente nos dias de hoje. Mas eles existem, e essas vocações estão por aí; existe muita gente que tem perfil pra vida religiosa nos dias atuais, do mais aberto ao mais severo regime. O que faz com que elas não sigam esse caminho? Falta de saberem como proceder ou uma cultura pós-moderna que desestimula totalmente atitudes de renúncia a “prazeres” tão unânimes atualmente? Texto do NYT de hoje fala sobre monges beneditinos americanos que estão se abrindo à internet (site, Facebook, blogs) para atrair vocações. Vivemos ontem o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Qual deve ser nossa oração? Pelas pessoas ou pela sociedade? Ou isso é definitivamente coisa do passado? Ou, concluo: isso é sintoma da aspereza dos nossos dias?

Monges utilizam a internet para recrutar jovens

Por TANZINA VEGA

Os monges beneditinos da Abadia de Portsmouth, em Rhode Island (nordeste dos EUA), estão envelhecendo -cinco deles são octogenários e o mais jovem se aproxima dos 50 anos- e seu número diminuiu para 12, contra um apogeu de 24 em 1969.
Por isso, os monges, que, por séculos, evitaram as distrações mundanas, apelaram para a internet com campanha que inclui vídeos, um blog e até um toque para telefone de canto gregoriano.
“Se é assim que a geração mais jovem procura as coisas e se comunica, é onde devemos estar”, disse o abade Caedmon Holmes, que dirige o mosteiro desde 2007.
Os monges adotaram o Facebook, um novo site (portsmouthabbeymonastery.org) que responde a perguntas sobre como se tornar monge (“Eu tenho de abandonar meu carro?” -Sim) e traz anúncios que declaram “Deus está chamando”.
“Se 500 anos atrás existissem os blogs, os monges teriam encontrado um modo de utilizá-los”, disse o abade Holmes. Para alguns, a tecnologia pode parecer o oposto da imagem da vida monástica. Nem tanto, dizem os monges: até o Vaticano tem seu canal no YouTube e uma página no Facebook.
A campanha apresenta os frades como “abertos e amistosos, totalmente acessíveis”, disse Tom Simons, o executivo-chefe e diretor de criação da Partners and Simons, agência de publicidade de Boston contratada pela abadia. A página no Facebook permitirá que os monges “formem sua base de fãs”, ele disse.
Simons lembrou sua primeira visão do irmão Gregory Havill entrando na agência com seu hábito de monge, enquanto ao fundo tocava música eletrônica. “Acho que o irmão Gregory sentiu que tinha entrado em um parque temático publicitário e ficou atraído e encantado”, disse Simons.
Sua empresa e a BPI, uma produtora de filmes, criaram vídeos on-line, enfocando como os monges ouviram a vocação e como é a vida monástica, e convidaram visitantes. O objeto foi capturar “sua amabilidade, sua sinceridade, sua delicadeza”, ele disse.
A história do irmão Havill tem um papel importante na campanha. Um dia, dez anos atrás, enquanto esperava um sanduíche esquentar no micro-ondas, Havill diz que ouviu um chamado para “ir para Portsmouth”.
No princípio, ele pensou que se tratasse da cidade portuária da Inglaterra pela qual muitos de seus ancestrais passaram a caminho dos Estados Unidos.
“Eu não tinha qualquer plano de me tornar um monge”, ele disse, que, na época, era um professor de arte e escultor que vivia só em Cromwell, Connecticut.
A abadia é ligada a uma escola, onde monges trabalham, incluindo Havill, que usa iPad nas aulas de arte. Eles podem usar a tecnologia para ensinar ou trabalhar, disse o frade, mas “você não vê os monges jogando com iPads”.
Alunos de internatos católicos como o de Portsmouth costumavam entrar para o mosteiro, mas “o número caiu vertiginosamente”, disse Francis Russell Hittinger, professor de estudos católicos na Universidade de Tulsa, em Oklahoma. David Moran, diretor de renovação monástica da abadia, disse que aprender a blogar vai ajudar os monges, que o farão entre os cinco serviços religiosos que praticam diariamente. Mas nada de Twitter.
“Ainda não”, ele disse. A ferramenta de relacionamento social “exige uma regularidade de publicação que eles achariam muito difícil manter”.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1605201120.htm

Anúncios
Explore posts in the same categories: Lazer, Religião

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: