Lições do Velho Patriarca

O Papa fala hoje em sua audiência geral – ainda naquela temática sobre a oração – que Abraão é um exemplo interessante de atitude de contato com Deus; certamente, Abraão tenha sido o grande “amigo de Deus” sobre a terra. Mas é muito provável que a primeira impressão que possamos ter da vida desse homem é a de alguém alucinado, que certo dia ouviu uma voz que ninguém ouvia: a voz de um Deus ditador que o fez abandonar tudo, pegar suas tralhas e se dirigir para um lugar onde as coisas eram muito boas e pacíficas. Ainda mais num contexto onde o estelionato e as falsas promessas viraram lugar-comum como no nosso, imagine se alguém escutaria? E quando ele ouviu que deveria matar seu próprio filho em sacrifício? Abraão e seu Deus, dois loucos varridos matando gente por aí.

Tenho certeza absoluta que muita gente pensa isso aí seriamente. Na verdade, Abraão foi o homem que começou toda essa história de Deus único e Omnisciente, que dá trabalho para a consciência de muita gente, como disse JP Coutinho uns tempos atrás. Mas o grande patriarca é, na verdade, um baita de um exemplo do que a vida realmente é. Abraão ouviu, sim, a voz que ninguém ouvia, e confiou nela; deixou tudo para trás e viveu uma vida que certamente era inimaginável em sua antiga situação: esteve em lugares que não imaginava que estaria, conheceu pessoas que nem passou pela sua cabeça conhecer. Será que se perguntássemos ao velho Abraão se havia valido a pena tudo aquilo ou se realmente havia sido apenas um desvario de sua consciência, ele – com fé na promessa de que teria um oceano de filhos – olharia para nós com um sorriso de compaixão e dever cumprido.

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

Queridos irmãos e irmãs,

Figura paradigmática do homem em oração é Abraão, que intercede junto de Deus pela salvação das cidades de Sodoma e Gomorra. Não pede apenas uma justiça retributiva, mas uma intervenção salvadora de Deus que, tendo em conta os inocentes, livre da culpa os ímpios. Tratar os inocentes como os culpados seria injusto, obviamente; o que Abraão pede é que os culpados sejam tratados como os inocentes, realizando Deus uma justiça «superior», isto é, oferecendo-lhes uma possibilidade de salvação, porque se eles aceitarem o perdão de Deus e confessarem a culpa deixando-se salvar, cessarão de fazer o mal e tornar-se-ão também eles justos, que já não necessitam de punição. É certo que a destruição da cidade punha fim ao mal que nela havia, mas Abraão sabe que Deus tem outros modos e outros meios para deter a difusão do mal: é o perdão. Este interrompe a espiral do pecado. É isto mesmo que Abraão pede no seu diálogo com Deus.

* * *

Uma saudação amiga para os fiéis da paróquia da Covilhã e da diocese de Maringá, para os Irmãos Maristas da província Brasil Centro-Sul e demais peregrinos de língua portuguesa! Cnvido-vos a aproveitar o percurso que faremos nas próximas catequeses para conhecer melhor a Bíblia, que tendes – penso eu – em casa. Durante a semana, parai um pouco a lê-la e meditá-la na oração para aprenderdes a história maravilhosa da relação entre Deus e o homem: Deus que Se comunica a nós, e nós que Lhe respondemos rezando. Sereis assim uma bênção no meio dos vossos irmãos, como foi Abraão. A Virgem Mãe vos guie e proteja!

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110518_po.html

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