A Revolução da Sexualidade-à-Flor-da-Pele

Dominique Strauss-Kahn é um daqueles caras que todo mundo admira. Seu trabalho a frente do Fundo Monetário Internacional (FMI) – órgão polêmico de ajuda financeira a países – sempre foi considerado muito bom. Seu caso é parecido com o de José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, que vinha fazendo uma administração exemplar, mas acaba envolvido num escândalo que mostra a falta de caráter escondida daquela pessoa. Muitos chegam a perguntar “por que ele?” ou até mesmo “não dava pra ele ter se controlado por mais alguns anos?” A questão é que desvios assim são graves, por mais eficiente que a pessoa possa parecer, e eles refletem – sim – na atuação profissional do indivíduo. São casos diferentes: um fala de desvio de dinheiro público, outro de agressão sexual. O primeiro parece ser mais grave (só parece), mas quero falar é do segundo tipo.

Pensando em sexualidade, um debate está no auge: a queda da “heteronormatividade”, ou seja, de uma sexualidade-padrão. Defende a militância gay que todo tipo de definição sexual é colocada culturalmente; até mesmo a diferenciação entre “menininho” e “menininha” na barriga da mãe. Deixando esses caras pra lá por enquanto, lembrei-me de outra militância: as SlutWalks, (Marcha das Vagabundas, em inglês): são mulheres que estão saindo em passeata pelas ruas de diversos países; semi-nuas, elas dizem querer acabar com a cultura de que “a mulher provoca o estupro”, defendida por grande parcela da população e até por humoristas por aí. Seriam as roupas indecentes de determinadas moças – dizem eles – que atrairiam determinado tipo de comportamento violento masculino.

Onde quero chegar com todos estes fatos jogados acima? Numa questão onde todos eles se enquadram – Strauss-Kahn, militância gay, SlutWalks,  o público em geral – e se relacionam: a cultura sexualizada dos dias atuais. Pode-se defender – a primeira vista – que ela seja o fruto mais visível da “revolução sexual” de meados do século passado; hoje, em nossa sociedade, o sexo se tornou explícito em todos os cantos: no comportamento de homens-grandes como o ex-diretor do FMI, nos gays que se definem de acordo com a “orientação sexual”, nas meninas que querem usar suas roupas acima da linha do joelho (estou sendo generoso), de outras que não usam nada disso e acabam estupradas até mesmo dentro de seus lares, no dia-a-dia dos jovens, na televisão, jornais, revistas e demais meios de comunicação, na arte, nos assuntos de botequim, ENFIM, como diria a música de Zé Ramalho: “isso explica porque o sexo é assunto popular”.

Antes o sexo era tabu; hoje é consenso que esse tabu tem de ser destruído, pisado, esquecido, coisa do passado. Até acho que ele era tratado de maneira equivocada antigamente, mas penso que o modo como esses casos vão pipocando mundo afora nos mostra que há algo errado em tentar tratá-lo assim, explicitamente. Pelo menos em nossa sociedade, em nossa cultura. Não há como modificar aspectos culturais sem alterar outros. Certo dia vi uma reportagem bacana sobre os naturalistas; como é interessante todos andarem peladões ali, sem nenhum tipo de vergonha um do outro. Mas é algo irreal, de fim de semana, de lazer; impraticável em nosso mundo. Ou você acha que algum dia poderia ser tão normal mostrar os órgãos genitais na rua quanto mostrar as mãos sem luvas? Provocaria sérios males à saúde, no mínimo.

Cultura x biologia: essa divisão não tão clara da realidade humana faz com que muita gente confunda alhos com bugalhos, e outros tantos confundam outros de propósito, em benefício próprio. Usar roupas passou de proteção contra o frio e ferimentos para a moda e o estilo, mas isto não fez com que ela perdesse sua primeira função. O sexo passou de ato reprodutivo para ato de lazer; estão tentando, entretanto, tirar sua primeira função; e quão importante ela é: a propagação da espécie. E continuar a nascer seres humanos por aí só tem um jeito: um hominho com uma menininha, num ato de entrega mútua. Qualquer coisa que vá além disso pode trazer as revoluções que a moda trouxe às vestimentas. E essa revolução é imprevisível: pode trazer quebra de preconceitos, mas pode trazer muitos “Dominiques Strauss-Kahns” ao nosso meio. Será que vale a pena?

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