Valentões do Bem

A covardia nunca é uma coisa boa. Muitos podem pensar por aí que ser cristão é ser um tanto covarde, já que nós oferecemos a outra face ao agressor que nos bate. Mas isto não é covardia, mas é a prova de nossa fé – baseada na vida e Palavra de Jesus Cristo – na força do Amor. Como bem observou o Papa Bento XVI na Audiência da semana passada, é fato que muitas pessoas acreditam que o mal é sempre mais forte que o bem, que o ato de destruir parece sempre mais potente que o ato de construir. Nós sabemos que não: sabemos do poder inabalável e invencível da silenciosa ressurreição de Jesus, em contraposição à sua barulhenta morte na sexta-feira.

Mas muitas vezes nós preferimos o barulho, e para não parecermos covardes, o escolhemos com muita convicção. Queremos a justiça, como se ela viesse apenas com a guerra. Por isso lembra o Papa – em sua audiência de hoje – aquela passagem estranha do capítulo 32 do Gênesis: a luta corporal de Jacó com o anjo de Deus. O que isso nos mostra? Pra quem não lembra, Jacó foi aquele que “roubou” a benção de seu pai, e também a primogenitura de seu irmão; com essa riqueza, seguiu para o estrangeiro onde “fez a vida”, ficou muito rico. Mas ele queria voltar para sua terra natal, onde seu irmão era rei. Tenta convencê-lo com presentes, mas no fim tem mesmo é que acertar as contas com Deus: Jacó luta valentemente até o amanhecer, e no fim o anjo disse que ele se chamaria Israel, pela sua bravura; pois se havia lutado tão bem contra Deus, imagine ao seu favor. Será que nós também não estamos usando nossa valentia pro lado errado?

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de refletir sobre um texto do Livro de Gênesis: a luta noturna do Patriarca Jacó com Deus. Jacó havia usurpado a primogenitura do seu irmão Esaú e obtivera, por meio de engano, a bênção de seu pai Isaac indo depois refugiar-se junto do seu tio Labão. Ao voltar para a sua pátria improvisamente é atacado, de noite, por um estranho. Ao cabo de uma fatigosa luta “corpo-a-corpo” com este personagem misterioso, que aos poucos vai revelando a sua natureza divina, Jacó, cujo nome derivava do verbo hebraico que significa “enganar, suplantar”, recebe um novo nome que lhe vem de Deus: passa a se chamar Israel, que significa “Deus é forte, Deus vence”. A Tradição espiritual da Igreja interpretou esse episódio como um símbolo da oração como combate da fé e da vitória da perseverança. Realmente, a oração exige confiança e intimidade, quase um corpo-a-corpo simbólico, não com um Deus adversário, mas com o Senhor que abençoa e que permanece misterioso. De fato, toda nossa vida é como esta longa noite de luta e de oração: para receber com humildade a bênção que nos transforma e que nos permite reconhecer a face de Deus.

* * *

Queridos peregrinos vindos de Portugal e do Brasil, nomeadamente da paróquia de Itú, agradeço a vossa presença e quanto a mesma significa de confissão de fé e amor a Deus. Procurai sempre na oração o auxílio do Senhor para combater a boa batalha da fé. De coração, a todos abençôo. Ide com Deus!

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110525_po.html

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