Sobreviveremos à juventude?

A juventude não é uma época fácil. Os mais velhos podem até não entender por já ter esquecido de como é, mas sei que todos passaram por isso. Vivemos numa situação de angústia: tudo que fazemos no presente é para o futuro, seja na faculdade, no emprego, nos relacionamentos. Enquanto a criança não tem capacidade de pensar adiante e o adolescente não tem capacidade cerebral para tanto – está mais preocupado com outras bobagens – o jovem é confrontado o tempo todo com a necessidade do amanhã; um bom emprego, uma boa formação, um bom preparo físico, a pessoa certa pra passar o resto da vida. Como esta pressão pode refletir na pessoa? Aqui no Brasil ainda somos tranquilos, não nos levamos muito a sério. Nos orientais, por exemplo, pode ser diferente. Leiam o texto extraído do New York Times que fala o que está acontecendo na Coreia do Sul.

 

Suicídios de estudantes chocam Coreia do Sul

Por MARK McDONALD

DAEJEON, Coreia do Sul -A universidade mais prestigiada da Coreia do Sul está abalada com o recente suicídio de quatro alunos e de um popular professor.
As pressões acadêmicas podem ser ferozes no Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (Kaist, na sigla em inglês), e psicólogos escolares têm ampliado seus atendimentos desde os suicídios. O diretor da escola também revogou regras polêmicas que elevavam as taxas cobradas de alunos com notas baixas e exigiam que todas as aulas fossem em inglês.
Depois da morte do último aluno, no dia 7 de abril, o conselho discente do Kaist emitiu uma inflamada nota dizendo que “uma rajada de vento púrpura” havia soprado no campus.
“Estamos encurralados numa concorrência implacável que nos sufoca”, disse o conselho. “Nós não pudemos dedicar nem mesmo 30 minutos aos nossos colegas perturbados por conta das tarefas extraclasse. Já não temos mais a capacidade de rir livremente.”
Um estudo recente concluiu que os jovens sul-coreanos são -pelo terceiro ano consecutivo- o subconjunto mais infeliz entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Ministério da Educação em Seul disse que 146 estudantes cometeram suicídio no ano passado, incluindo três no ensino fundamental.
Na universidade, preocupados psicólogos disseram que poucos estudantes buscaram ajuda devido aos exames finais.
“Lembre-se que os alunos aqui ainda são muito jovens”, disse Kim Mi-hee, psicólogo no centro de orientação do campus, estimando que cerca de 10% dos alunos do Kaist já buscaram ajuda. “Mas eles são tão inteligentes e brilhantes que realmente lidam muito bem com o estresse. Eles têm grande capacidade de percepção, então, quando recebem tratamento, evoluem rapidamente.”
Mas ainda não há um psiquiatra de plantão em tempo integral, e os professores do Kaist não recebem nenhum treinamento para identificar alunos deprimidos ou excessivamente estressados.
A Coreia do Sul como um todo ocupa o primeiro lugar em suicídios na OCDE. Suicídios de cantores, modelos, atores adorados, atletas, herdeiras milionárias e outras figuras tornaram-se quase uma rotina no país.
Mas os suicídios dos quatro alunos do Kaist chocaram o país de forma profunda e pungente (o professor, que supostamente era alvo de uma auditoria por desvio de verbas de pesquisa, se enforcou em 10 de abril).
Mais de 80% dos sul-coreanos cursam o ensino superior, e a concorrência por um lugar numa boa universidade -cujo diploma é garantia de uma vida próspera- começa no ensino médio. Em média, cada família gasta mais dinheiro em aulas particulares e cursinhos do que qualquer outro país participante da OCDE, preparando seus filhos para o vestibular nacional.
Mas o Kaist não participa desse exame e recruta quase todos os seus alunos em colégios especiais voltados para as ciências. Apenas cerca de mil calouros são admitidos por ano. Uma entrevista, as notas do ensino médio e recomendações de diretores são os fatores que mais contam.
Os alunos do Kaist são vistos como os futuros líderes da badalada economia tecnológica sul-coreana. Uma vez admitidos, seus estudantes se tornam tesouros nacionais. Por isso, muitos sentem o enorme fardo (às vezes, insuportável) de corresponder às expectativas do país.
Suh Nam-pyo, diretor do Kaist, é um renomado engenheiro mecânico e ex-professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Ele determinou que os cursos fossem ministrados em inglês, embora nem todos os alunos e professores sejam fluentes na língua.
Ele também exigiu que os alunos pagassem taxas adicionais por cada centésimo de ponto que suas notas médias ficassem abaixo de 3 (num sistema que vai até 4,3). Todos os alunos pagam uma taxa simbólica, mas, fora isso, o ensino é gratuito. Um semestre ruim pode custar milhares de dólares à família do estudante.
Essa regra causou profunda humilhação e ansiedade. Os estudantes com dificuldades repentinamente se sentiram perdedores. Alguns críticos acusaram o programa pelos recentes suicídios dos alunos.
“Eles sempre foram os primeiros em suas escolas, mas, quando chegam ao Kaist, talvez sejam o número 40 ou o número 400 e percebem que talvez não consigam acompanhar”, disse Oh Kyung-ja, professora de psicologia clínica na Universidade Yonsei. “A competição pode ser cruel.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny3005201108.htm 

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