Fazendo-se Dom

Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. – 1Cor 12,4

 

Dom, vocação, afinidade: este é um tema que há alguns anos está presente na minha cabeça. Como é bonito ver quando uma pessoa tem um “dom”, quando ela faz algo com tamanha naturalidade que nem ela mesma sabe explicar. Muitas vezes isto está relacionado às artes e aos esportes; mas aí reflito: será mesmo que há esta distribuição tão injusta? Será que os artistas e atletas são aqueles felizardos que nasceram com afinidade para determinada atividade e os que não as tem são os “sem-dom”, pessoas normais, medíocres? Creio que não: todos temos “dons”, seja no sentido mais prático da coisa (facilidade para executar determinada tarefa) ou no sentindo metafísico (um presente que nos foi dado para agir de determinada maneira).

Por que digo que todos possuem um dom? Pelo simples ato de viver e de ser humano. A espécie humana é a única que produz indivíduos inteiramente distintos entre si; as outras espécies são todos muito parecidos, possuindo uma diferenciação só notada entre eles, seja pelo som emitido ou pelo cheiro exalado. Nós (por mais que tenhamos características parecidas, principalmente em determinados povos) somos muito diferentes, até por causa da constituição psicológica de cada um. Muitos se indagam: como é que dois irmãos gêmeos podem ser tão diferentes, se vem do mesmo gameta de pai e de mãe e foram criados na família? A genética explica, mas não só ela.

Sabem aquela história da casa? Pode voltar aqui novamente: temos a noção de que estamos sempre construindo o lar de nossas existências, tijolo por tijolo, dia após dia. E quantas vezes não adicionamos tijolos meio estragadinhos nas paredes de nossa casa! Mas existem também os bonitos, colocados em lugar especial e sempre relembrados. É esta vivência com um mundo de pessoas diferentes, situações opostas, ambientes bons e ruins, que fazem a construção do ser, e promovem o fortalecimento de determinados dons. Até porque a vocação não é tudo, mas deve-se considerar o uso que é feito dela. Quantas vezes não ouvimos falar de pessoas tão inteligentes que usaram seu intelecto para o mal?

Ah! O mal. Este destruidor de vocações, arrasador de planos e exterminador de sonhos. Que dom pode dar resultado num ambiente de guerra interna e externa? Daí podemos dizer que todo mundo, sem exceção, tem vocação para amar. É o grande Dom que recebemos primeiro e menos aproveitamos! O dom do relacionar-se, de se fazer “amigo”, de se fazer até “namorado”, lembrando o dia de hoje. O Dom maior: de se fazer dom. No fim das contas é isto aí: de que vale termos tanta diversidade de dons no nosso mundo se eles não forem utilizados para o bem de todos? Como disse São Paulo na segunda leitura de hoje, no trecho que destaco acima: “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.” Há uma diversidade de dons, mas eles só fazem sentido no Amor.

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