O “Estatismo Liberal” tira as coisas do lugar

Depois de uma semana de descanso devido aos feriados e festividades religiosas, retorno hoje com um assunto “quente” do mercado financeiro e varejista do Brasil e do Mundo: a fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour. Todos sabem que sou um fã do liberalismo, pois acredito que a liberdade e criatividade são hábitos inerentes e qualidades indispensáveis do ser humano. Sem elas, não há avanço no mundo. Por isso que enquanto os EUA fabricavam caças “invisíveis” a URSS insistia em chapas de aço. Mas no Brasil, com o atual governo, misturam-se as coisas. Existe um “estatismo liberal” (não confudam com “liberalismo moral”, seu primo). Por que digo isso? Pois a fusão acima só vai acontecer com uma ajudazinha do BNDES. Dizem que não vai nosso dinheiro na parada, mas penso que o governo não deveria se meter diretamente em assuntos particulares que – se muito – só trarão benefícios indiretos e de médio prazo ao país. Reinaldo comentou isso hoje, posto abaixo.

 

30/06/2011 às 18:25

As bobagens de Fernando Pimentel. Ou: Governo Dilma é uma orquestra em que cada um toca a sua própria música

 

Já escrevi aqui o que penso sobre a eventual fusão Pão de Açúcar-Carrefour, com injeção de dinheiro do BNDESpar. Não acho que haveria prejuízo para o banco nem acredito que o consumidor pudesse ser prejudicado. Até o contrário: uma gigante do varejo pode forçar para baixo os preços. O busílis não está aí. A questão é saber por que o estado quer ser empresário. Para obter lucro é que não é! Quer é poder político, e isso é ruim, seja nessa operação, se concretizada, seja na fusão de frigoríficos ou de empresas de telefonia. Que vá investir em aeroportos, portos, estradas, saneamento! Com que então mais da metade do país fica mergulhado no cocô, enquanto um banco de fomento se mete no ramo do varejo ou da telefonia móvel, setores que não encontram a menor dificuldade de se financiar com bancos privados? Faz sentido? Faz se o objetivo, reitero, é impor uma agenda política, de que a questão econômica é mero instrumento. Adiante.

De todas as justificativas ridículas para a fusão, quem foi mais fundo na tolice — e, confesso, não estou minimamente surpreso — foi o ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, evidenciando, mais uma vez, que não é mesmo do riscado. Está lá porque é um dos “companheiros de armas” de Dilma Rousseff.

Segundo ele, à medida que o Brasil teria o controle de uma multinacional — não teria; é falso! —, ficaria mais fácil pôr os produtos brasileiros nas prateleiras do Carrefour mundo afora. Hein? Como é que é? Quer dizer que as barreiras eventualmente impostas a produtos brasileiros decorrem de não termos uma rede de supermercados e hipermercados disposta a vender nossos produtos? Quem não sabe o que dizer acaba dizendo qualquer coisa.

Pimentel, aliás, estava inspirado. Hoje ele resolveu tecer considerações ao léu sobre juros, câmbio, desindustrialização, tudo com a mesma profundidade e pertinência com que tratou a questão dos produtos brasileiros nas gôndolas do mundo. Segundo o ministro, as medidas até agora adotadas pelo governo para conter a entrada de dólares não estão dando resultados porque eles entram de forma “camuflada”. Danadinhos esses dólares!!!

Aí Pimentel teve uma idéia: a única maneira de impedir isso é baixando a taxa de juros. Compreendido e registrado. O Banco Central emitiu ontem sinais de que a taxa será elevada. Bem, e daí? O governo Dilma é uma orquestra em que cada um responde por seu instrumento — se é que vocês me entendem… A gente se prepara para ouvir a Sinfonia nº 5, com o coração à espera do Adagietto, e, quando se dá conta, o jazz está comendo solto, cada um improvisando à sua maneira. Segundo Pimentel, “não temos condição de ficar praticando uma taxa tão elevada”. É… Quer dizer que a gente “fica praticando”, assim, como quem faz por boniteza?

Achando que ainda não tinha refletido o suficiente, resolveu improvisar mais um pouco. Reconheceu que a indústria enfrenta sérias dificuldades, mas rechaçou qualquer risco de desindustrialização. E anunciou, para breve, incentivos e desonerações para alguns setores. Entendi. O governo continuará a compensar a descompensação brasileira que redunda hoje em real valorizado, juros nos cornos da lua e gastos descontrolados, escolhendo os sortudos que gozarão de benefícios especiais. Depois, esses sortudos sempre sabem ser gratos nas disputas eleitorais.

Esse é o nosso ministro da Indústria e Comércio. Antes de ele se entregar a essas grandezas, era o chefe dos novos aloprados que preparavam dossiês contra tucanos. Não dá para saber em que área ele se mostra com mais destreza.
Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fernando-pimentel-ou-governo-dilma-e-uma-orquestra-em-que-cada-um-toca-a-sua-propria-musica/

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