A Fé Única de uma Pedra Só

Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. – Mt 16,18

Sou católico, não escondo isto de ninguém. Faço parte da igreja cristã que diz ter como líder o sucessor de Pedro, apóstolo para o qual Jesus disse a frase acima. E a minha igreja é a única que diz tal coisa. Todas as outras querem para si o título de ortodoxa, de apostólica, e até uns exagerados se proclamam “universais”. Mas só a nossa se diz proveniente de Pedro, e todas as outras sabem que saíram de dentro do ventre da tal Católica Romana. Umas se dizem “autocéfalas”, exatamente por obedecerem sua própria cabeça, e não a do Bispo de Roma. Outras se chamam “protestantes”, precisamente por protestarem contra determinadas prática da mesma igreja. Tudo se refere a ela.

É óbvio que as diferenças entre as igrejas cristãs mundo afora não se dão simplesmente em nível de relacionamento. Existem sim disputas teológicas, pensamentos divergentes quanto a doutrina, etc. Mas a grande maioria das separações foram na pura e simples pirraça; sendo a teologia uma desculpa leviana (pois não são tão difíceis de revogar) para separar jogos de interesse. Vide a polêmica que deu origem à separação da Igreja da Inglaterra. O que quero dizer aqui, no fim das contas, é sobre unidade. A grande oração deixada por Jesus antes de ser entregue à morte era a favor da unidade. Talvez Ele já orasse por ter o conhecimento das dificuldades que viriam nesse campo no futuro.

Mas que Ele deixou tudo certinho para que a Igreja permanecesse unida, isto sim. Colocou Pedro como “a pedra”, conforme o trecho acima destacado. Deixou o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, memorial perfeito e presença verdadeira no altar até o fim dos tempos. Mandou o Espírito Santo Paráclito que sempre ajudou nas decisões que deveriam ser tomadas e empurrou todos à missão. Doou-nos até a própria Mãe, Maria Santíssima, como zelosa curadora de nossas atividades. Tudo muito bonito e perfeito, como foi toda Sua obra, para que a perfeição da Igreja Cristã fosse maior que os pecados do homem. Mas alguns foram deixando de lado os pontos acima citados para caminhar por veredas próprias – e incertas.

Estou dizendo que não é possível seguir Jesus fora da minha Igreja, e que quem não está conosco está perdido desde já? Óbvio que não. Existem centenas de maneiras de ser cristão, inclusive a mais estranha e imcompleta de todas: aqueles que pensam que Cristo foi só mais um homem bom e sábio. Perto desses, qualquer igrejinha de boca de esquina se torna o paraíso na terra. Só penso que as divisões (geradas muitas vezes pelo ego), abrem espaço cada vez mais para brigas e desfiguram aquilo que Cristo um dia nos deixou como herança – muitíssimo rica, como mostrei acima. Hoje, por exemplo, os protestantes não protestam contra os católicos, mas já existem os “protestantes dos protestantes”. Isso não deve ser motivo de desavença, mas de tristeza. Quanto menos a Igreja está centrada na pedra que a Pedra Angular nos deixou, mais espaço sobra para que os poderes do inferno balancem suas estruturas imperfeitas.

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