Não à guerra!

Assisti a dois filmes interessantes nestas férias, que estão interligados de algum modo, apesar de muitos distintos em gênero, época, elenco e tudo mais. O primeiro chama-se “Nascido em 4 de Julho”, primeiro grandre filme de Tom Cruise, da década de 80. Conta a história de um rapaz, que – nascido no dia da independência dos EUA – amava este país sobremaneira. Seu destino, até mesmo natural, foi se tornar um Fuzileiro Naval, enviado para a Guerra do Vietnã. Na guerra acaba baleado e paraplégico. Voltando ao seu país, sua cabeça se torna um penico: não sabe se defende o que defendeu naquelas terras distantes ou se pensa como clamava o movimento Hippie: “Paz e Amor”. Depois de períodos de muitas complicações e tentativas de fugir dos problemas, se torna um líder dos veteranos contrários à continuidade da guerra.

O outro filme é “Voo United 93”, bem mais recente e menos aclamado. Retrata o voo do qual leva o nome, um dos sequestrados pelos membros da Al Qaeda no dia 11 de setembro de 2001. Este foi o único voo que os passageiros e tripulantes tiveram tempo e coragem para tentar retomar o controle da aeronave da mão dos terroristas, mas o plano fracassou e o avião acabou sendo atirado ao solo pelo piloto muçulmano na zona rural do interior dos EUA. O filme é chocante e assustador; não porque haja cenas violentas ou fortes, mas simplesmente por podermos compartilhar tão vivamente o desespero daquelas pessoas que realmente passaram por tudo aquilo. Aqueles homens e mulheres sabiam – por telefonemas que davam do avião – que iriam ter o mesmo destino dos outros aviões; resolveram lutar desesperadamente pela sobrevivência.

Tudo isto me fez relfetir um pouco sobre a guerra. Penso que não há à primeira vista uma saída como queriam os “doidões” dos anos 60: o estabelecimento de um “paz e amor” repentino e imposto. O mundo sempre foi tão complexo nas suas relações geopolíticas que hoje isso só se faz piorar. Mas não há como se sentir tranquilo diante do cenário que esses conflitos trazem. Principalmente pelo fato de eles sempre fazerem vítimas civis, inocentes. No filme do Tom Cruise, é angustiante a cena que ele se depara com uma família que ele havia fuzilado por engano e logo após assassina, também sem querer, um colega de batalhão. No “United”, é triste demais olhar para aqueles passageiros que se desesperam ao receber as notícias do que acontecia pelo país e saber do seu destino. Ou será mais terrível a ignorância deles frente a toda aquela calamidade?

Certamente, a conclusão que fica é que as guerras são realmente abomináveis e não devem existir. E não importa a natureza delas: se são no campo de batalha ou nas cidades, internas ou externas, declaradas ou terroristas, por motivos econômicos ou religiosos, em qualquer lugar, país ou vilarejo. Mas penso também na dificuldade que é se tomar decisões nestes momentos: será que não ordenaríamos nossos exércitos invadir o Afeganistão depois do horror do 11/9? Ainda assim, não há como não enxergar e se espantar com o contraste entre as cenas de guerra e a voz impassível e corajosa dos líderes que clamam suas vitórias, sejam de Ronald Regan no primeiro caso ou de Osama Bin Laden no segundo. Será que há como ser tão frio diante da vida, ou melhor, da morte?

Podemos ainda argumentar: tudo bem, a guerra é triste e tudo mais, mas o que eu tenho a ver com isto? Não sou militar, o Brasil não vai se envolver em guerrar tão já, e isso aí é tudo fato do passado. Só lembro de uma coisa, e foi isto que me fez escrever este texto aqui: em ambos os filmes, o que movimenta a guerra não é o discurso dos líderes, a vontade soberana de um país ou até mesmo de Deus; é a ideologia dominante em determinadas mentes: pequeninas e insignificantes como as nossas, mas que mudam vidas, principalmente a própria. No primeiro filme, destaca-se a mãe do personagem do Cruise; no segundo, é clara a fraqueza dos meninos que sequestram o avião. Por trás do aspecto patriota e religioso, existe uma dificuldade em enxergar o outro como um semelhante. Ao fazermos o mesmo, estamos colaborando para que o estado de guerra continue pairando sob nossas cabeças e destruindo nosso cotidiano. Há vários tipos de guerras; uma delas está sempre entre nós.

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