Os répteis da sociolgia caçando os malfeitores do universo

O caso de Breivik, o assassino norueguês, está dando mais desdobramentos do que talvez mereça. Digo isso porque o que está sendo discutido não são as vítimas ou a tristeza da tragédia, mas a ideologia por trás da obra. É óbvio que o que pensa aquele homem é desprezível, que sua incapacidade de enxergar o outro como semelhante e próximo é de se espantar. Mas por trazer na aljava a etiqueta de “direita”, por se dizer cristão e ser de um país dos mais ricos do mundo, a questão muda de figura. Afinal, são esses os grandes malfeitores do mundo, na opinião dos mais isentos e inteligentes esquerdistas pensadores da nossa sociedade. Breivik, Tea Party, Igreja Católica, José Serra, Democratas: para gente como Paulo Henrique Amorim, somos aqueles que devem ser combatidos. Apesar de tentar entender suas intenções, não consigo deixar de sentir náusea ao ler ou ouvir esses répteis do pensamento lógico e livre. Tio Rei concorda comigo.

27/07/2011

às 7:01

Direitista, cristão, sionista… As esquerdas mundo afora decidiram usar o assassino norueguês para esconjurar seus inimigos! Neste blog, não se criam!!!

Caros leitores, mais um daqueles textos longos. Então vamos à luta.

Escrever o óbvio, a favor da correnteza, é tarefa fácil, embora, às vezes, seja necessário fazê-lo. Dou um exemplo. Todos somos contrários à corrupção e favoráveis à punição dos assaltantes dos cofres públicos. Externar esse ponto de vista quando a corrupção toma conta do estado é uma obviedade moral e está de acordo com o sentimento dominante que pede a punição dos larápios ou vocaliza o sentimento de frustração provocado pela impunidade. Difícil é opor-se à correnteza quando determinados valores, fundados em mentiras, tornam-se influentes e ambicionam ter a mesma força de um primado moral.

Tenho, os meus leitores sabem, certo amor pela dificuldade. Assim tem sido ao longo do tempo, não é?, seja para denunciar um bolivariano golpista tornado herói da democracia, seja para questionar a versão de uma pilantra em pele de camareira. O clamor politicamente correto não me intimida. Ao contrário: ele assanha a minha vontade de explicitar a sua vocação para falsificar a história.

Todos os fundamentos, sem exceção, disso que conhecemos habitualmente por “democracia” foram sempre tomados pelas esquerdas como marcos da sociedade burguesa a serem superados pelo “povo”. Não há um só esquerdista relevante, teórico ou prático, já escrevi isso aqui algumas dezenas de vezes, que não tenha procurado formas de ultrapassar os supostos limites do regime democrático. Alguns vigaristas preferiram homenagear o vício com a virtude advogando em nome de uma certa “democracia social”. Nessa formulação, o adjetivo muda a substância do nome: em defesa do “social”, violam-se, por exemplo, a igualdade perante a lei, o estado de direito e as garantias individuais. Chama-se, então, uma ditadura ou um regime autoritário de “uma democracia diferente”.

Os fundamentos, leitores, do que se convencionou chamar “democracia” foram e têm sido sustentados por forças políticas historicamente classificadas de “direitistas” pelas esquerdas. E, nesse particular, elas tinham mesmo razão. Quando leio ou vejo na TV a “direita” ser satanizada como a grande vilã da causa democrática, escandalizo-me. Às vezes, é só manifestação de ignorância; freqüentemente, no entanto, trata-se de pilantragem intelectual. A matriz do pensamento de esquerda e sua prática ao longo da história são hostis à democracia. Nem poderia ser diferente. Esquerdistas são obcecados pela idéia de que a história é um organismo vivo, que obedece a um comando, a uma racionalidade intrínseca ou a uma codificação predeterminada que a empurra para a verdade coletiva. Nessa perspectiva, o regime democrático e suas garantias individuais seriam apenas uma etapa dessa evolução.

Por que faço essas considerações iniciais, embora um tanto longas? É formidável o show de desinformação, especialmente a histórica, a que estão submetidos leitores, internautas e telespectadores à esteira da tragédia protagonizada por um bandido chamado Anders Behring Breivik, o norueguês que executou um atentado a bomba e que alvejou dezenas de jovens num encontro do Partido Trabalhista, na Noruega. Boa parte da imprensa ocidental — e amplos setores da brasileira com mais entusiasmo — descobriram que um espectro ronda a humanidade, especialmente na Europa: A DIREITA, ainda que se tenha o cuidado de acrescentar o adjetivo “extrema” ao substantivo.

(…)

Noto que Breivik, e  abordei esta questão ontem, já foi tratado como um fundamentalista cristão, que repudia os desregramentos da sociedade moderna — deu-se destaque ao fato de que ele gostaria de conhecer Bento 16 —, lamentando os hábitos promíscuos da mãe e da irmã, embora, consta, tenha consumido drogas e procurado prostitutas antes de fazer suas loucuras. Reparem o que está em curso: o assassino em massa revelaria a real face da direita, seria simpático ao fundamentalismo cristão, é islamofóbico, teria inclinações neonazistas, mas também, como já conta em seu perfil na Wikipedia, seria simpático ao sionismo e a Israel.

Prestem atenção a estas opiniões:
Sobre o casamento
-”O casamento, tal como praticado na sociedade burguesa, é, em geral, uma coisa contra a natureza. Mas um encontro entre dois seres que se completam mutuamente, feitos um para o outro, é, no meu entender, quase um milagre.”
Sobre o cristianismo
– “A religião está em perpétuo conflito com o espírito da livre indagação.”
– “Para nós, a catástrofe é estarmos amarrados a uma religião que se rebela contra todos os prazeres dos sentidos.”
Sobre nascimentos fora do casamento
“Eu amo ver essa exibição de saúde à minha volta.”

Palavras de um comunista tentando destruir a ordem burguesa e o fundamentalismo cristão? Não! Palavras de um nazista tentando fazer a mesma coisa. São opiniões de Adolf Hitler, lembradas por Jonah Goldberg no livro “Fascismo de Esquerda”. As teses que tentam associar a defesa de valores da família, da cultura tradicional ou da religião ao fascismo são estúpidas e historicamente mentirosas. Ao contrário: a organização familiar, a religiosidade e a tradição cultural são antídotos ao superpoder do estado ou de um partido. Quem queria entregar crianças para serem criadas e educadas por um organismo estatal eram Robespierre e os nazistas… O que estou querendo dizer com isso? IMPORTAM POUCO O QUE AQUELE VAGABUNDO ESCREVEU EM SEU MANIFESTO OU AS MENSAGENS QUE DEIXOU ESPALHADAS POR AÍ. O mais severo crítico das instituições burguesas e da religião, como vimos, pode não se distinguir de um Hitler. Um tradicionalista, adversário ferrenho do laicismo, pode conviver perfeitamente bem com a diferença. As idéias conservadoras de Breivik não matam ninguém. Já as suas idéias mudancistas são, como resta claro, homicidas.

(…)

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/direitista-cristao-sionista-as-esquerdas-mundo-afora-decidiram-usar-o-assassino-noruegues-para-esconjurar-seus-inimigos-neste-blog-nao-se-criam/

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