Voltando: Só a humildade é real

Existem determinados momentos da vida onde somos convidados (ou forçados) a questionar as situações que vivenciamos. Isto porque, no nosso dia-a-dia exercemos funções, assumimos cargos, damos ordens, recebemos tarefas, executamos projetos, almejamos crescimento, aspiramos por felicidade. Tudo isto é muito natural; a linguagem “corporativesca” só esconde ideais vivenciados por qualquer um, do diretor de uma multinacional até o estudante, do político que comanda o país à dona-de-casa que administra sua residência. Mas a vida – de qualquer uma dessas pessoas – possui uma coisa em comum: ela é instável.

Buscar estabilidade também é natural, mas é algo que devemos logo cedo tentar nos conscientizar que será uma luta desigual. Desigual pelas forças que se apresentam mais potentes que nossa vontade: a natureza, a nossa mente, o nosso corpo, os outros. E aí quando explicavelmente – ou não – começamos a sentir que a situação está um pouco estressante, insustentável, tensa, nos esforçamos a domar suas rédeas. Outra característica inerente ao ser humano: querer ter as rédeas sempre em mãos, o controle da situação. Mas é exatamente por causa dos fatores já citados que o controle não é tão simples de retomar.

E aí pode se iniciar um círculo vicioso de auto-flagelação onde buscamos voltar tudo à normalidade, mas nem a conjuntura nem nosso psicológico desejam e pretendem fazer com que aconteça. Surgem daí o mau-humor, a desesperança, a maldade, sem contar a psicossomatização de doenças, a instabilidade emocional e até o desenvolvimento de vícios para camuflar o peso da situação sobre as costas. Ô dificuldade! Para aqueles que estão sempre acostumados a dar comandos aos que o circundam, a ter que tomar decisões “estratégicas”, a querer ser pró-ativo e se destacar frente à “concorrência”, não conseguir fazer escutar-se pela própria vida é realmente angustiante.

Tendo em vista que situações como estas são mais comuns do que parece no nosso tempo – e muitas vezes estão disfarçadas pelo apelido de “depressão” – creio que tenho de adicionar (já no fim do ano) um ponto fundamental à nossa prática do “diaversário”: a humildade. Venho refletindo sobre isto nas últimas semanas e concluo que não há outro remédio para tais situações do que assumir que somos “humus”, somos pó, somos impotentes diante da imensa maioria das coisas de nossa vida. O aparente controle das situações que sentimos em tempos de tranquilidade não é nada mais que ilusório. E pensar que ainda existem aqueles que pensam dominar toda a sociedade!

Assumir a humildade não é abaixar a cabeça e se sentir um coitado, devastado e violentado pelo conjunto que é “opressor”. É, sim, compreender-se homem, indivíduo, isolado, que se coloca diante das outra pessoas simplesmente como mais um, nem acima, nem abaixo. É perceber que somos falíveis e incrivelmente pequenos diante dos desafios de nossa vida. É também o buscar engrandecer-se, mas não de uma forma que ocupe o espaço das outras pessoas e as atrapalhe; nem de um modo que não caiba no nosso “sistema” de vida. É simplesmente crescer na comunhão; crescer pensando, afinal, que por nossas próprias forças não podemos fazer nada. E com isto, sossegar nosso coração.

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