Como a Religião deve ser tratada

Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo – o que para mim seria de longe o melhor – mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. – Fl 1,23s

 

A fé do homem – religiosamente falando – está baseada na ideia clara de que este mundo não se encerra aqui. Toda religião tem isto como fundo de sua doutrina: a experiência do pós-mundo, do além da vida, do ser imortal. E esse pensamento e fé estão ligados a um desejo muito particular e forte que brilha no coração de cada pessoa: o desejo de não morrer. A morte assusta qualquer homem, e ele – por ter consciência de que vive – não quer deixar de viver. Por isso a religião não é algo “inventado”, ou uma “maquiagem” no dia-a-dia da humanidade, frente a tantas outras preocupações mais importantes; ela é a expressão de um sentimento inerente em todo o homem que, mesmo se dizendo “ateu”, duela com isto.

Nessa dinâmica terra x céu, material x imaterial, visível x invisível, as religiões se expressam de maneiras diferentes. Existem aquelas mais místicas e gnósticas, que consideram a vida como trampolim para a eternidade, como os budistas, e aquelas mais conformadas com a realidade da terra, mesmo achando que isso seja apenas uma passagem, como os cristãos neopentecostais e os espíritas. Não entendo muito dessas religiões, então posso estar falando bobagem; mas sei que todas almejam saber o equilíbrio entre o corporal e espiritual, entre o homem de carne e sua alma. O trecho destacado da Carta de São Paulo aos Filipenses mostra de maneira clara como o cristão lida com isso: com respeito e humildade.

Respeito porque as coisas dos Céus são assim mesmo: invisíveis, imateriais e enigmáticas, não sendo reveladas em qualquer porta de botequim como a escalação do Flamengo na última rodada do campeonato. Por isso, não podem ser negadas nem ultrajadas, pois é impossível saber até que ponto nossa situação atual está em conformidade – ou não – com os anseios divinos. Também deve haver humildade por motivo muito parecido: ninguém controla a vontade de Deus, do mesmo jeito que a não se conhece. Somos todos levados por ela – o que alguns gostam de chamar de “grande sucessão de acasos” – e não podemos bradar como quem diz “conheço estes mares”. Os mares são desconhecidos, e nós passageiros de uma grande nau universal.

Num mundo onde crentes já foram vistos cometendo os mais vis atos de violência – desde contra crianças até contra nações – o autêntico cristão, que foge da hipocrisia como o diabo da Cruz, deve estar muito atento a isso: não negar nada das manifestações do Divino até que se tenha muito estudo e certeza (a Igreja, por exemplo, após quase 2.000 anos ainda não tem certeza de muitas coisas), ao passo que também não deve se dizer dono da verdade pelo mesmo motivo. Ao contrário do que se vê por aí, o fiel deve ser o primeiro a dar exemplo de tranquilidade e mansidão ao tratar das coisas de Deus. Não são elas nem coisas cosméticas de segundo plano, nem brinquedos perigosos nas mãos de crianças crescidas.

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