Cabeça no lugar: nós, aqui e agora

Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. – Fl 4,6s

 

Stress, correria, desespero: essa é a pauta de atitudes da nossa sociedade atual, que de tão plugada e conectada, passando informações à velocidade da luz, exige da gente também  andar na mesma rapidez. Imaginemos a época de nossos avós: conversar com um parente distante – e nem precisava ser muito longe – era só por carta; não dava, então, pra ficar pensando muito na pessoa, preocupado com sua situação, etc. Mandava-se notícias, alguns meses de espera, recebiam-se notícias. É uma lógica temporal que nós talvez não consigamos nem mesmo pensar, pelo menos não a minha geração, que já nasceu com telefone na mão. Imaginem os que nasceram com os mouses apontados para as telas desde a maternidade!

As telecomunicações atuais não só exigem de nós que façamos tudo “ao vivo”, mas que estejamos nos mais variados lugares. Antigamente, viajar, só se fosse nos livros de história que retratavam tempos e histórias longínquos. Hoje, em sala de aula ou no trabalho, nos deslocamos para o outro lado do mundo num piscar de olhos, resolvemos problemas que estão acontecendo a milhas daqui e temos o mundo todo sob nossas costas. Qual a diferença, atualmente, entre um terremoto no Japão e uma inundação em Santa Catarina? Pra quem não sabe muito de geografia, é tudo “lá fora”, e que traz preocupações “aqui pra dentro”. É claro que não estou discutindo as vantagens que todo este aparato nos traz; vantagens, não: revoluções.

Mas por que estou eu refletindo sobre tudo isto em pleno domingo, dia de refletir a palavra do Senhor? Simples: o mundo nos acumula de inúmeras preocupações advindas de todos os cantos; a competitividade é mundial, o mercado é global, a responsabilidade é social. E o local? E nós? Onde ficamos nessa história? Em que momento posso eu refletir e rever posições do meu “eu” se a todo momento estou no Skype conectado com Pequim e no Messenger falando com São Paulo? Esse excesso de informação não atinge somente nossos cérebros, que ficam sobrecarregados na tentativa de dar conta disso tudo: o que é impossível. Chega também no nosso corpo, que não vê outro jeito a não ser transparecer isso em fragilidade e doença; chega também em nossa alma. É a ansiedade.

Ansiedade, inquietação, preocupação: parece que São Paulo escrever o trecho acima para nós hoje, não? Se naquela época a comunidade de Filipos tinha tempo de afligir o coração com coisas externas, nossa proporção hoje multiplicou-se a mil. Preocupar-se com alguma coisa não é nada mais que um jogo que fazemos com nossa alma, centro de nossos desejos: forçamos ela a desejar – ou a temer – algo que ainda está por vir. É uma das piores situações, pois está nos grupos das irresolúveis: como realizar algo que virá amanhã? E é por isso que ela ganha destaque em vários trechos das Sagradas Escrituras: prender-se ao amanhã é semelhante ao prender-se ao passado, situação humana que produz uma prisão na nossa vida.

Por isso São Paulo recomenda que não nos inquietemos, mas que coloquemos nossa única esperança em Deus; não como método de fuga, mas como verdadeiro método de encontro com si próprio. Muitos hoje pensam: “como posso pensar em Deus, com tanta coisa a fazer, filhos para criar, trabalhos a realizar, um mundo a ajudar?” Pois é: temos tarefas sim, mas muitas vezes nos apropriamos de deveres que não são nossos. Nosso dever é com nossa própria saúde e com a do outro, algo que – por incrível que pareça – vai muito além do que se preocupar com “a sociedade” ou “o meio-ambiente”. Encontrando-nos a nós mesmos, encontrando o que há de bacana e verdadeiro dentro de nós, temos a possibilidade de mudar o mundo inteiro. Só na força do Amor.

Anúncios
Explore posts in the same categories: Religião, Viagens

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: