Entre esperanças e atitudes

“Aclamai o Senhor, povos todos da terra,/ regozijai-vos, alegrai-vos e cantai./ Salmodiai ao Senhor com a cítara,/ ao som do saltério e com a lira./ Com a tuba e a trombeta/ elevai aclamações na presença do Senhor rei./ Estruja o mar e tudo o que contém,/ o globo inteiro e os que nele habitam./ Que os rios aplaudam,/ que as montanhas exultem em brados de alegria/ diante do Senhor que chega,/ porque ele vem para governar a terra./ Ele governará a terra com justiça,/ e os povos com equidade.” Salmo 97/98, vers. 4-9.

 

O começo de ano é carregado pelo sentimento da esperança. Um tanto pela mídia e pelo comércio, que quer criar uma expectativa boa para essa época (para o bem do mercad0), um pouco pelo clima de férias da criançada (que são os únicos que realmente mudam de vida de um ano para o outro), mas também pelo sentimento intrínseco do homem de ter curiosidade acerca do futuro e de desejar algo melhor da sua vida. Independentemente da fé e da ética de cada pessoa (que hoje em dia são mais diversas do que nossas impressões digitais), todo mundo quer agir corretamente e viver bem. Não há contraventor que infrinja as leis a contragosto: todos acham que isso é necessário e que está correto, ao menos naquela situação; e mesmo que a pessoa tenha o estilo de vida mais alucinado, seu desejo é viver em paz.

Penso, por exemplo, no caso do trânsito. Ele é o ambiente que nos mostra muito claramente os sentimentos humanos que no dia-a-dia ficam um tanto quanto camuflados. A Polícia Rodoviária Federal tem a permissão – mais uma vez – de usar os radares em qualquer lugar, sem aviso prévio aos motoristas. Basta que existam placas definindo a velocidade máxima da rodovia. Todo motorista que se preze fica irritado com tal situação: acha que deveriam ser avisados da existência dos “pardais”. Mas se a velocidade máxima é aquela, deve se andar a todo momento em tal ritmo, não? Mais do que pensamentos moralistas, questiono: mesmo achando que se pode correr um pouco mais, todos desejam a queda da mortalidade no trânsito, não é?

O que quero dizer com tudo isso, e o que isso tem a ver com o trecho do Antigo Testamento acima? Que todos temos o desejo de uma vida melhor, de paz e de harmonia na nossa existência; mas a falta de sensibilidade e de reflexão faz com que tenhamos determinadas atitudes contrárias a tal objetivo. E o trânsito está cheio de exemplos disso, mas não só ele. Na justiça, na convivência familiar, no trabalho, no lazer. O Livro dos Salmos é excelente em expressar desejos profundos do homem. No trecho acima, o salmista anuncia a chegada de Deus, que “governará a terra com justiça e equidade”. Todos nós queremos um mundo de justiça e equidade. Muitas vezes esperamos que tal mudança ocorra dos outros, do governo, e até mesmo dos Céus. A esperança deve estar sempre presente em nossos corações, mas será que não estamos transferindo as responsabilidades? Que tal essa transformação começar por nós mesmos?

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