Irmãs de Sangue, Irmãs de Fé

Santa Emiliana de Roma, virgem

 

No início da semana havia comentado sobre dois santos que chegaram à perfeição cristã de vida numa amizade verdadeira e pela vida toda, respeitando as suas diferenças e vivendo em prol do bem-estar um do outro, São Basílio e São Gregório Nazianzeno. Na estreia da coluna das Santas mulheres, lembro de Santa Emiliana, cuja festa é hoje, e que também teve uma parceira de santidade: sua irmã Santa Tarsila. Elas viveram no século VI da era cristã, na já decadente e falida cidade de Roma. Foram tias do Papa Gregório Magno, o que mostra que eram de uma família influente dentro e fora da Igreja. O pai delas era Senador Romano. Apesar de toda essa riqueza econômica, cultural e religosa, ela e suas duas irmãs (Tarsila e Gordiana) decidiram por entrar para o convento. A última, a mais velha, não permaneceu lá até o fim da vida, tendo voltado para o mundo e suas paixões, conforme afirma a própria santa.

O relacionamento familiar nem sempre é fácil (ou melhor, quase sempre é difícil), e muito mais complicado é a relação entre irmãos. Na maior parte das famílias, desde cedo se inicia um jogo de disputa e de ciúmes entre duas irmãs ou dois irmãos de idade próxima, que gera consequências para a vida toda. Conheço inúmeros casos de famílias em que estes dois homens ou duas mulheres, tão próximos em laços sanguíneos, são duas pessoas extremamente distantes. Como evitar que isso aconteça? Como construir um ambiente de cumplicidade e respeito entre dois irmãos, e mais, entre a família como um todo? A família de Emiliana é uma mostra do caminho: tem de haver amor. O amor é o dom necessário para a convivência autêntica e pacífica entre os familiares, pois ainda ali temos de respeitar as diferenças de vida, ponto de vista, e caráter de cada um.

É claro que isso deve começar na formação da família: no casamento. Ao se iniciar um relacionamento que poderá se transformar em algo sério (nem sei se algo assim existe ainda hoje em dia) deve-se incluir o convívio amoroso em seu seio: o serviço, o perdão e a alegria, principalmente. Um casal pautado por isso deve também se esforçar para que tal espírito reflita também nos filhos, e que entre eles também haja tal vontade. Se o início da vida dos filhos é marcada por competição e julgamentos, a criança não consegue construir um sentimento bom em relação ao seu próprio irmão, e isso a afetará a vida toda. Muitos pensam que a saída é não ter filhos, ou ter um filho único; digo por experiência própria: a convivência com os irmãos (com suas alegrias mas também seus conflitos) é experiência importante e primordial na vida do ser humano. Vamos incentivar a volta das famílias médias e grandes!

Por fim, um último pensamento: Santa Emiliana é considerada uma das padroeiras das moças solteiras, por ter sido galanteada e recebido muitas ofertas de casamento (era muito bonita), mas recusou a todas elas para se entregar à vida religiosa. As meninas de hoje não precisam entrar para um convento (isso não é escolha, é chamado) para melhor valorizarem sua feminilidade e o que ela acarreta. A cultura atual brasileira  (na mídia, na música, na moda) está vendendo às mulheres a sensação de emancipação, mas estão as relegando a um papel objetivo pior do que a dos anos de dominação machista. Que Santa Emiliana interceda pelas jovens solteiras e virgens, para que saibam se valorizar como seres humanos amados e amantes.

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