Case-se quem puder

Naquele tempo, “houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho.” – Evangelho segundo São João, cap. 2, vers. 1-9a.

O casamento. Existe prática mais bombardeada, questionada e insultada do que a de se casar nos dias atuais? Não é fácil encontrar um casal que não reclame de seu cônjuge, ou do dia-a-dia a dois; não é difícil encontrar casais de noivos e namorados reclamando com antecedência do ato de se unir “até que a morte os separe”; e está cada vez mais comum jovens e adolescentes que afirmam que não querem se casar. À moda antiga, é considerado uma instituição retrógrada e impossível de se cumprir (“na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza”); à moda moderna, tornou-se um ato efêmero, para quando o amor chega no seu auge, mas que tem data para acabar, quando apagar a chama da paixão. Muitos pensam que não há solução para que um casamento dure mais do que alguns anos; outros procuram até sexólogos para “esquentar” a relação e recuperar o entusiasmo do começo.

Eu ainda acredito que o casamento é fundamental. Por vários motivos, mas tentarei explorar três: o social, o sentimental e o religioso. O primeiro é o mais frio e claro de todos: ter casais estáveis ajudam na solução de uma série de problemas sociais. Quais? Na educação dos filhos, por exemplo: são poucas as coisas mais traumatizantes para uma criança do que ver seus pais se separando; e até mesmo para um jovem: a união de seus genitores demonstra a solidez da existência que a pessoa em formação tanto necessita. É exemplo e porto seguro para a vida toda. E da educação dos filhos a gente pode puxar tantos outros problemas sociais de pessoas com formação deficiente na infância/adolescência. Podemos falar também das doenças sexualmente transmissíveis: se há fidelidade de parceiros, elas praticamente deixariam de existir.

O segundo ponto é o do sentimento: é interessante pensar que mesmo aqueles mais anti-religião, mais contrário a qualquer instituição perpétua, quando conhecem alguém especial, se apaixonam e se envolvem com a tal pessoa, a ponto de desejar se casar com ela, unir-se a ela de modo mais definitivo, ter filhos e criar uma família. É daqueles sentimentos internos do homem, e mesmo quem prega com mais afinco o contrário um dia acaba por se enrolar.

E, por fim, o religioso: na passagem do começo do texto, vemos Jesus fazendo seu primeiro milagre público, nas bodas de Caná. Estava Ele com sua mãe e seus amigos. Sua intervenção é simples, até meio tola: transformar água em vinho para abastecer a festa. Mas nesse simples milagre a Igreja sempre viu algo a mais: Jesus é aquele que transforma a água que é o homem (sem gosto, sem cheiro e sem cor) no vinho do Amor divino (que anima, traz vigor e alegria). Isso também serve para o casamento: eles não dão certo, porque passamos cada vez mais a ser água: egoístas, mesquinhos e individualistas. Somente na caridade e no perdão do Amor que podemos manter vivo nosso relacionamento amoroso, nossa família, e qualquer outro tipo de relação de nossas vidas.

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