Falando sério com os árabes

Santa Apolônia de Alexandria, virgem e mártir

Apolônia viveu em meados do século III, no Egito.  Era uma moça cristã, que havia consagrado sua castidade e seus serviços a Deus e à Igreja. No ano de 248, o Império Romano comemorava as festividades de mil anos de existência. Nessa época, poetas e bardos anunciavam grandes catástrofes que viriam com tal data, e a reação popular foi buscar nos cristãos os culpados de tais eventos vindouros. Com a leniência do imperador Filipe, o Árabe, e o apoio de Trajano Décio, seu sucessor, passaram-se aí alguns dos anos mais violentos de perseguição à Igreja. Casas e igrejas destruídas, homens mortos e mulheres presas. Apolônia era uma delas. Torturaram-na, arrancando-lhe todos os dentes. Por isso ela é conhecida como padroeira dos dentistas. Atearam-lhe fogo, mas o fogo não a consumiu. Morreu decapitada, após muitos sofrimentos.

Ao ouvir a história de uma santa proveniente do Egito, não há como não comentar acerca da atual situação da Igreja Católica lá, de rito copta. Passaram-se quase dois milênios das perseguições romanas àqueles cristãos, mas desde então a paz nunca reinou naqueles lares, e nunca eles puderam prestar seu culto de maneira tranquila. Essa, na verdade, é a situação dos cristãos em toda a região da “África Branca”, ou “África Muçulmana”, e também de todo o Oriente Médio e Península Arábica. Seja por ação dos romanos, dos servos de Maomé ou dos turcos otomanos, adorar Jesus Cristo, testemunhar sua fé e até mesmo manterem vivos locais de veneração de nossa fé (locais por toda região onde Jesus Cristo passou, habitou e pregou) sempre permaneceu tarefa das mais árduas.

E há algo de diferente – e até mesmo estranho – no tratamento recebido por aquela região pela mídia e grupos de opinião ocidentais. Em nome de uma militância que desejaria evitar preconceitos contra o Islã, há na verdade uma relativização e um acobertamento das realidades e das versões daquela região. Pode-se perceber isto desde o tratamento de eventos históricos (a exaltação das “maravilhas” dos impérios Babilônico, Egípcio e Muçulmano, e o “horror” das Cruzadas e outras iniciativas europeias) até a cobertura dos atuais acontecimentos políticos, iniciados ano passado e insistentemente chamados de “Primavera Árabe”. Depois de mais de um ano de rebeliões populares e trocas de governo, não há um só país que tenha melhorado de situação: todos eles caíram num período de escuridão política, desordem social e uma disputa rasteira de poder.

Não estou pregando uma nova “cruzada” contra os árabes e sua cultura, pois sei reconhecer também suas grandes contribuições na área da ciência, da arquitetura e de tantas outras áreas. Mas só gostaria que todos nós – que estamos afim de criar uma opinião própria acerca do mundo – pensássemos com um pouco mais de imparcialidade sobre os acontecimentos daquela região. Afinal, a resolução dos problemas geopolíticos dali são de extrema importância pra uma pacificação e melhor convivência do mundo todo. Usar a situação como fetiche de um antiamericanismo ou de uma “luta de classes” mundial – como fazem nossos atuais governantes e intelectuais – é um masoquismo que ri sobre o corpo de milhares de mortos, em todos os cantos do mundo, que padeceram pela falta de diálogo e cobrança de atitudes sérias da parte dos países dessa região tão rica e sábia, mas que está longe de respeitar a humanidade e reconhecer seus direitos.

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