Palavras de Vida Eterna

Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: “Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não tem nada para comer. Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe”. Os discípulos disseram: “Como poderia alguém saciá-los de pão aqui no deserto?” Jesus perguntou-lhes: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete”. Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que o distribuíssem. E eles os distribuiíram ao povo. – Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos, cap. 8, vers. 1-6

Existem atualmente muitos exegetas materialistas, que procuram olhar para as narrativas do Evangelho e apreender as características de um Jesus “histórico”, além do suposto “mito” que haveria se tornado em torno dele. É uma daquelas grandes bobagens dos que não tem coragem de despedir a religião de sua existência, mas também não querem vivê-la como tal; seu objetivo é destruí-la. Para olhar as ações de Cristo e bem compreendê-las, é necessário perceber a noção atemporal e universal de seus atos. Jesus não vem para a Terra como um simples homem, um rabino, que ensina coisas bonitas e realiza prodígios para o povo. Ele sabia do futuro, das consequências de seus atos; prova disso são as inúmeras profecias que realizava, os avisos que dava principalmente a seus apóstolos acerca de seu futuro.

Portanto, todo ato de Jesus tem de ser observado de dois modos: um restrito e um universal. O primeiro se refere a situação concreta do que foi relatado: realmente aquelas coisas aconteceram; não foram histórias inventadas ou situações armadas para demonstrar o poderio do Filho de Deus (talvez como até algumas igrejas e seitas cristãs realizam hoje). Na passagem que transcrevi acima, existia realmente uma multidão que seguiu Jesus até o deserto, ouvindo suas mensagens, buscando nele a salvação para os mais variados tipos de problemas. E Ele, vendo como aquele povo confiava e esperava em Sua Graça, tem realmente compaixão deles, e busca alimentá-los, mesmo estando onde estão.

Mas não há como não perceber ou descartar o valor universal dessa passagem: o povo que tem “fome”, e procura em Jesus a saciedade de suas necessidades. O ambiente é o deserto, um tanto quanto contrário à busca de alimentos. Mas é ali que o Senhor se apresenta, Ele desce ao deserto do nosso mundo, e é ali que proporciona o pão que os sacia. E o faz por meio da partilha e da caridade dos próprios discípulos, que traziam consigo sete pães, que divididos entre todos é o suficiente e ainda sobra. Ou seja, um relato despretencioso desse quer muito mais do que relatar um milagre de Jesus: quer falar da situação do povo, do modo de Jesus trabalhar, do papel dos apóstolos, da importância da caridade. Estejamos sempre atentos na escuta e entendimento das mensagens de Jesus, o único que possui “palavras de vida eterna”, conforme já afirmara São Pedro.

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