Com Santorum e seus valores

O ano de 2012 é eleitoral, não só para o Brasil – que elege novos prefeitos e vereadores – mas também nos Estados Unidos, que votam para escolher seu novo Presidente da República. O democrata Barack Obama buscará a reeleição, tendo em vista um primeiro mandato cheio de complicações e enrolações, devido ao período difícil do planeta e da extrema expectativa que existia sobre ele em sua eleição. Eu estou de olho na eleição de lá, e acho importante abordá-la aqui, na coluna-tema do blog desse ano. Afinal, os EUA são exemplo de debate democrático, algo que no nosso país é extremamente infantil e primitivo. E se não pensarmos, questionarmos e debatermos a política, que outra chance temos de alterar nossas realidade cotidianas, de melhorar nosso padrão de vida e de nossos descendentes?

Estou acompanhando com muito cuidado as eleições de lá ainda no período atual de prévias, no caso do Partido Republicano. Percebi o teor das críticas a Obama e comecei a pesquisar o estilo dos pré-candidatos. Um me chamou particularmente a atenção: Rick Santorum. Me identifiquei com Rick não apenas por compartilharmos a mesma religião, ou por antipatia aos seus velhos e arcaicos adversários, mas por ele defender tão aberta e expontaneamente ideais que pensei reduzidos a um pequeno grupo de cristãos, que só debatia tais coisas entre si. Rick coloca no primeiro plano de sua campanha os valores do conservadorismo social – e não somente econômico -, defendendo que são eles a saída para a crise americana. E mais: está encontrando muitos adeptos na sua defesa.

Enumerarei hoje três pontos de defesa do candidato, por serem eles algo que defendo há alguns anos, e não serem de muito acesso aos brasileiros. Além disso, são questões que foram absorvidas pela enxurrada da militância do “liberalismo moral” (seu antagonista), que não abre nem espaço público para a cogitação dessas ideias em terras tupiniquins. Primeiramente, há de se falar do próprio conservadorismo social ou moral. Ele provém de ideias cristãs, oriundas das igrejas antigas, em especial a católica e as protestantes históricas. São pensamentos acerca do ser humano e a melhor forma dele viver, que proporcione felicidade e vida plena mais facilmente, além de coesão social e bem-estar (para não usar a famigerada “harmonia”) entre as pessoas e atores coletivos da sociedade.

É um sonho que foi derrubado pela onda de pensamento cientificista decorrentes do século passado. Em parte, pela abordagem funcionalista e positivista do ser humano, oriunda de uma sociedade voltada estritamente ao consumo e à posse; e em outra, pela materialização da sociedade e história humanas, que passou a ser vista basicamente como um sucessivo contraste de posses e poderes, ideologia dos marxistas. Assim, aborda-se os dois pontos principais da campanha de Santorum: o casamento gay e a legalização do aborto. Ao primeiro, ele afirma ser uma deturpação e distorção do sentido de família, como célular fundadora e fundamental da sociedade. No segundo, é o mais puro e abjeto modo de conceber a vida humana: como um instrumento que merece ser ligado ou desligado dependendo das circunstâncias.

A defesa das famílias e da vida humana em qualquer hipótese são os pilares da campanha de Rick, e ele os faz na defesa de que não há mudança econômica, reestruturação de oportunidades ou prosperidade coletiva se esses valores não forem resgatados, reconstruídos e fortalecidos. O casamento (ou até mesmo o relacionamento) homossexual não torna as pessoas piores, mas é a face de uma relativização dos valores que construíram e sustentaram a sociedade até hoje: as famílias, os filhos e as suas relações. Já o aborto, é a prova de quanto o crime contra a vida do homem pode ser traduzido em benefício para todos. Tal proposta de Rick Santorum pode não ser a escolhida para concorrer à Casa Branca, nem mesmo ser capaz de bater Obama na disputa do final do ano; mas me alegro em ver alguém debater abertamente esses problemas, que – sem dúvida – são as reais causas dos males que encontramos em nossa sociedade atual. É a elevação dos corações, também na política.

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