A rede de influências

A pregação [de Jonas] chegara aos ouvidos do rei de Nínive; ele levantou-se do trono e pôs de lado o manto real, vestiu-se de saco e sentou-se em cima de cinza. Em seguida, fez proclamar, em Nínive, como decreto do rei e dos príncipes: “Homens e animais bovinos e ovinos não provarão nada! Não comerão e não beberão água. Homens e animais se cobrirão de sacos, e os homens rezarão a Deus com força; cada um deve afastar-se do mau caminho e de suas práticas perversas. Deus talvez volte atrás, para perdoar-nos e aplacar sua ira, e assim não venhamos a perecer”. Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastaram do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal, que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez. – Livro do Profeta Jonas, capítulo 3, versículos 6 a 10.

Como todas as pessoas do mundo, somos influenciados e influenciamos quem está a nossa volta. Fazemos parte de uma cadeia de relações e contatos que constroem a sociedade de maneira tênue e fundamental; o homem não é um ser isolado, não consegue bastar a si mesmo. Mesmo sabendo disso, é muito difícil que percebamos em nosso cotidiano como as nossas atitudes são compreendidas e aproveitadas por essa rede. Com efeito, as ações são as mensagens que transmitem signficados variados a todas as pessoas que estão a nossa volta. Dentro dessas ações podemos dividir entre teóricas e práticas, sendo que as últimas são bem mais fortes e decisivas do que as primeiras; em compensação, as primeiras são responsáveis por dar suporte e referendar as últimas.

Numa estrutura política como a que vivemos, onde todos são responsáveis pelas decisões em suas vidas, há sempre a situação onde uns decidem pelos outros. Sejam por legalidade, legitimidade, convencimento ou beneficiamento, uns aceitamos o querer dos outros. E essas decisões alteram as nossas vidas. Quanto mais alto estamos nas escalas hierárquicas que habitamos (seja na família, no trabalho, no lazer ou na comunidade), mais nossas ações exercem influência, numa quantidade maior de pessoas. Se fazemos algo de ruim, maldoso ou estúpido, isso será transmitido, copiado e levado adiante; se passamos algo bom, bondoso e caridoso, também será imitado, avaliado e adotado como padrão de conduta. Não se engane: não há alguém no mundo que não exerça o mínimo de influência.

Falar disso veio a calhar após ler o exemplo do rei de Nínive, da história do profeta Jonas (aquele que foi vomitado pela baleia). Quantas vezes não nos deparamos com reis, comandantes e representantes nossos no governo, transmitindo decretos que apenas prejudicam o povo, mas que afastam os encargos de si próprios? Era o caso dos fariseus do tempo de Jesus, foi assim em toda a história. O rei de Nínive foi diferente: não só participou junto do povo no processo de conversão e penitência (representado pelas cinzas e pelos sacos), mas utilizou os instrumentos que tinha em mãos para obrigar ao povo que fizesse o mesmo. Que ótimo exemplo a se seguir, não? Que tal começássemos a usar nossos talentos e influências para fazer o bem geral e dos outros, e não só o nosso? Creio que o mundo seria diferente.

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