Desfazendo Babel

Isto diz o Senhor: “Eu atendo teus pedidos com favores e te ajudo na obra de salvação; preservei-te para seres elo de aliança entre os povos, para restaurar a terra, para distribuir a herança dispersa; para dizer aos que estão presos: ‘Saí!’ e aos que estão nas trevas: ‘Mostrai-vos!’. E todos se alimentam pelas estradas e até nas colinas estéreis se abastecem; não sentem fome nem sede, não os castiga nem o calor nem o sol, porque o seu protetor toma conta deles e os conduz às fontes d’água. Farei de todos os montes uma estrada e os meus caminhos serão nivelados. Eis que estão vindo de longe, uns chegam do Norte e do lado do mar, e outros, da terra de Sinim”. Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. – Profecia de Isaías, cap. 49, vers. 8-13

A bela poesia postada acima, escrita pelo profeta Isaías, faz parte de um dos pontos mais importantes e belos da teologia judaica: a restauração de Jerusalém. Isso não representa simplesmente a reconstrução de uma cidade, mas o reestabelecimento do mundo todo na paz e na concórdia. O “fim dos tempos”, para eles. Seria o povo judeu (não só se referindo às pessoas, mas também à geografia, na terra que a eles foi prometida) os porta-vozes e o centro dessa nova existência pautada pela proximidade do Senhor e a cessão de todos os sofrimentos e angústias. Ali, por meio deles e diante deles, todos os povos da Terra viriam e se ajoelhariam diante da majestade do Deus de Israel. Esperança bonita, mas um tanto quanto mal entendida por quem está dentro e quem está fora do povo.

O fato de ser o povo hebreu os representantes da divina realeza não os coloca acima de qualquer outra tribo ou reino; e esse é o equívoco principal. Por não entenderem isso, muitos judeus sempre se acharam dignos de favores e benefícios diferenciados diante dos povos da Terra, e quando eles não vieram, perderam sua esperança. O povo escolhido se ensoberbeceu. Já da parte dos povos estrangeiros, sempre viram com cuidado e desprezo o fato daquele pessoalzinho (na maior parte do tempo em pequeno número e pouco destaque tecnológico e bélico) se autoproclamar “povo escolhido”, “nação de Deus”, “terra da aliança”, etc. Dessa forma, o que figurou – quase sempre – diante do povo judeu foi guerra, presente até os dias atuais (como o atentado ocorrido segunda-feira numa escola judaica que matou quatro pessoas, sendo três crianças).

A questão é que a promessa feita por meio de Isaías lida acima é, sim, bela, viva e eficaz. Diante de um mundo onde as pessoas apenas se desentendem e se separam, Deus forma um povo para pregar a união diante do seu nome. O povo de Israel é o povo do serviço, não o povo do reinado; é o povo da humildade, não da soberba; do acolhimento, não da discriminação. Para nós, cristãos, tal função foi-nos transmitida por meio de Jesus Cristo: agora não é mais do “povo escolhido” quem nele nasceu, mas quem quiser e tiver fé. E, com tal afirmação, fomos tão massacrados e acusados quanto o povo da Antiga Aliança. Se prestarmos bem atenção, veremos que o mau comportamento do povo judeu é comum nas igrejas, mas também em todas as pessoas. Por isso eles nos servem tanto de exemplo: para deixamos pra trás a soberba e o julgamente e nos esforçarmos no acolhimento e na humildade. É a única saída para nos tornarmos um dia um só povo.

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