Maria, revolucionária de Cuba

Nossa Senhora da Caridade de El Cobre

Amados irmãos, sob o olhar da Virgem da Caridade do Cobre, desejo fazer um apelo a que deis novo vigor à vossa fé, vivais de Cristo e para Cristo, e luteis com as armas da paz, do perdão e da compreensão para construir uma sociedade aberta e renovada, uma sociedade melhor, mais digna do homem, que manifeste melhor a bondade de Deus. Amém. – Trecho final da Homilia do Santo Padre Bento XVI na Santa Missa do 400º aniversário do descobrimento da Virgem da Caridade do Cobre

Os fieis católicos acompanharam (deveriam ter, ao menos) a visita do papa Bento XVI a Cuba, no Caribe, após ter passado dois dias na região de León, no México. A parte mexicana da viagem foi maravilhosa: animada, feliz e despojada. Quando o avião decolou do aeroporto de León rumo a Santiago, em Cuba, senti algum calafrio. Não seria um encontro inédito, já que no fim da década de 1990 o beato João Paulo II visitara aquele país. Ainda assim, é um choque tremendo: um papa católico visitando um país que até hoje investe fielmente num regime expressamente ateu como o comunista; regime que desapropria bens da Igreja quando da sua revolução; que persegue, prende e executa membros do clero; que não permite qualquer manifestação religiosa por parte da população com a afirmação de que “a religião é o ópio do povo”, conforme afirmou seu mentor, Karl Marx.

Ao ver as primeiras imagens da chegada a Cuba, tudo parecia confirmar meus temores: um cerimonial extremamente simples, com honras de Estado e um discurso inflamado de Raúl Castro sobre como o embargo à ilha imposto pelos EUA é o grande propagador de miséria e desgraças no país. Só mesmo a figura do papa e dos bispos que destoavam ali. Mas ao sair do aeroporto, compreendi perfeitamente a presença do sucessor de Pedro naquele lugar: o povo. Diferentemente dos russos, norte-coreanos, chineses e europeus do leste, o povo cubano (como todos os latino-americanos) possuem em seu DNA a religião cristã, em especial as devoções católicas. Mesmo com décadas de boicote a qualquer iniciativa da Igreja, era impossível que os líderes do Partido Comunista ignorassem por muito tempo esse anseio popular: o povo é devoto.

Portanto, nos últimos anos, o regime tem aberto possibilidade à atuação da Igreja no espaço público cubano; ela é reconhecida hoje como a maior instituição não-estatal do país. Mas ainda não possui liberdade para atuar e para dar vazão ao sentimento popular de louvor e graças a Deus, numa piedade bem simples, como a nossa. Tal piedade – mais uma coincidência com o Brasil – é movida por uma imagem de Maria, encontrada no mar por três trabalhadores, em 1612: na pequena estátua estava escrito: “Yo soy la Vírgen de la Caridad”. Seu templo foi construído na cidade de El Cobre. Seu nome de devoção, portanto: Nossa Senhora da Caridade de El Cobre (ou do Cobre). O papa foi até esse humilde santuário, e a ela confiou todo o povo cubano. E tenho certeza que a Virgem (ali de pele parda e com um Jesus mestiço nos braços) está a olhar por todos eles.

É interessante (e até assustador) ver como Maria se manifestou no decorrer da história em lugares críticos. Em Fátima pediu para que se rezasse pela Rússia, em pleno 1917, auge da revolução bolchevique. Ali em Cuba também se fez presente, de modo que tornou-se fundamental para que a devoção católica nunca desaparecesse, por mais que o governo se esforçasse. Hoje, Maria precisa continuar ajudando. O regime cubano está caducando: não há mais como nem onde se sustentar. O povo tem que saber se posicionar do modo como o Santo Padre magistralmente resumiu acima: com as armas da paz, do perdão e da compreensão. Assim, estarão fazendo uma revolução muito mais bonita que a feita pelas armas de Castros, Guevaras, Cienfuegos. E farão brotar um país muito mais humano, justo e próspero.

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