E nós? Não vamos para a festa?

Naquele tempo, os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem [Jesus] realiza muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?” – Evangelho segundo São João, cap. 11, vers. 47s.53-56

Jesus foi um homem que causou divisões por onde andou: para uns, Ele era motivo de glória, para outros, razões para queda. Tal manifestação já tinha sido prevista pelo velho Simeão, quando Jesus era um recém-nascido apresentado no Templo como qualquer outro. Talvez fosse exatamente a fidelidade de Jesus a si mesmo, ao que defendia e pregava – e em consequência, ao Pai – que fazia com que tais reações distintas surgissem. Os poderosos não podiam ver em Jesus a não ser alguém que quer ser mais do que é; portanto, um blasfemo. Os pobres conseguiam ver nEle quem dizia ser, o Filho de Deus e do Homem, mas não tinham poder para fazer muita coisa além de ter fé.

Engraçado é ver o medo dos fariseus: o crescimento da devoção de Jesus iria alcançar todos, e assim, destruir a todos. Deu-se exatamente o contrário: Jesus seria morto, os fariseus controlariam Israel com pulso firme por mais algumas décadas, e eles sim, com sua hipocrisia e jogo duplo, causariam a ira dos romanos, a destruição do Templo, do povo e de sua casta, por volta de 90 d.C.. Mas a decisão estava tomada: Jesus era alguém que necessitava ser parado, ser calado, pois todos estavam ficando maravilhados por seus atos. No Templo, antes da festa da Páscoa, Ele era o assunto principal! Isso deveria ser inadmissível para aqueles homens de comando, acostumados às honrarias, influência política, prestígio e temor por parte da população.

Depois de tal época, o cristianismo continuou a ser uma crença que causaria divisões: foi perseguida pelos judeus e romanos, ao mesmo tempo em que seu número de fieis aumentava. Tudo mudou com a conversão do Império Romano, que iniciou a “época de ouro” da Igreja Cristã, conhecida como Idade Média. Com o Renascimento, porém, Cristo começou a ser questionado tanto quanto na época dos fariseus. De onde vinha essa autoridade? Quem era o Papa para usar uma tiara simbolizando poder universal, pastoral e temporal? Resultado: surgiram as seitas cristãs que “suavizaram” o Cristo, tornando-o mais apresentável diante da sociedade. Atualmente, nem elas são poupadas de críticas e acusações de serem ultrapassadas, inúteis e retrógradas.

Estamos iniciando a Semana Santa. A pergunta dos judeus é interessantíssima: “e Jesus? Será que Ele não vem para a festa?” Nós sabemos que Jesus iria, e como a festa iria acabar: na grande Festa da Páscoa, da passagem da humanidade das sombras à luz. Pra muita gente hoje, a semana que se inicia não tem sentido algum. Para muitos, seus eventos são coisas de séculos passados. Reforça-se o dever dos cristãos: celebrá-la com a força e a fé daqueles que voltaram a seguir sua vocação: nadar contra a correnteza.

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