O mundo é dos humildes-servos

Santa Bernadette Soubirous, vidente de Lourdes, virgem

Seguindo o percurso jubilar na esteira de Bernadete, é-nos lembrado o essencial da mensagem de Lourdes. Bernadete é a filha maior de uma família muito pobre, que não possui ciência nem poder, e é frágil de saúde. Maria escolhe-a para transmitir a sua mensagem de conversão, oração e penitência, em plena sintonia com a palavra de Jesus: “Escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). – Homilia do Papa Bento XVI na ocasião do 150º aniversário das aparições de Lourdes, 14/9/2008

Nossa Senhora de Lourdes: nome tão fácil na cultura cristã, que é perigoso tornar-se corriqueiro demais. Lurdes virou até nome comum no nosso país. Em hipótese alguma pode-se relativizar o que aconteceu naquela cidadezinha, com aquela menininha, simplesinha. Sim, mais uma vez Maria se pronuncia ao mundo de uma “maneirazinha”: não menosprezando-a, mas dando-lhe sutileza e doçura, conforme explicava tão bem Santa Teresinha de Lisieux. Maria é essa mãe sublime, que não grita (muitas vezes nem fala), mas tem um olhar terno sobre seus filhos (dados a ela pelo próprio Cristo) que vagam na Terra. Como é bom ter Maria como mãe! Como é triste um cristianismo que se esqueceu de Maria, que a joga para o escanteio, que a torna mais culpada do que vítima das nossas inconstâncias.

A Igreja celebrou a memória de Santa Bernadette no dia 16 de abril, segunda-feira passada. Talvez a vida e o exemplo da pobre menina adoentada tenham se apagado diante da majestade que ganhou a veneração à Maria em Lourdes. Sinto que Bernadette não ficaria triste por isso; ao contrário, se alegraria de ver que aqueles que a chamava de “louca” e “farsante” passaram, e ficaram aqueles que buscam na Santa o mesmo que ela: paz, saúde, Vida. Bernadette é mais uma daquelas pessoas que Maria escolhe para levar mensagens no decorrer da história: analfabeta, doente, pastora de ovelhas, filha mais velha, pobre ao extremo. Como afirmou o Santo Padre no trecho da homilia que colei acima, como é bom ver a glória dos pequenos e dos humildes!

Maria era a mais humilde das servas do Senhor. Por isso foi escolhida pelo Senhor para trazer o seu Filho em seu ventre. E por isso escolhe Santa Bernadette para deixar uma mensagem de conversão e mudança de vida para o mundo. “Penitência… Penitência…”, repetia a Virgem à também virgem menina francesa. É a humildade dizendo aos humildes a necessidade dos que não o são, mudarem e tornarem-se. O cristianismo é explícito nesta contraposição entre humildade e arrogância, soberba, hipocrisia: chame do que quiser. E será que é algo tão carola e fora de moda quanto dizem ser? Não será isso que falta ao mundo de hoje: pessoas que assumem o que são, e não criam fantasias acerca de si próprio? Deus ama os humildes. Nós amamos os humildes. Sejamos, pois, humildes. Que a Virgem Maria e Santa Bernadette roguem por nós!

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