Qual a certeza do cristão?

Santa Restituta de Cartago, virgem e mártir

Representação do martírio e da chegada ao porto: 1) Interrogatório da jovem Restituta que declara adorar aquele Deus que criou o céu, a terra e o mar, refutando-se a pronunciar o nome de Júpiter ou de outra divindade. A jovem é conduzida ao cárcere. 2)  Restituta é machucada. Aparece um anjo que a consola chamando-a de mártir gloriosa. 3) Restituta é novamente interrogada e convidada a prostrar-se diante da majestade dos deuses. A jovem refuta sem exitar. Ordenam que a coloquem sob os mais atrozes tormentos.   4) O juiz diz a sentença final: Restituta, ré convicta de sacrilégio (…) será posta numa barca cheia de piche e estopa; será deixada queimando até mergulhar nos abismos dos mares. – Extraído do site da cidade de Lacco Ameno, Itália.

Hoje gostaria de falar de uma santa não muito conhecida, mas que se inclui no grupo incontável de mártires da época de Diocleciano, imperador romano que perseguiu impiedosamente os cristãos. Santa Restituta viveu no norte da África, e sofreu as penas impostas no trecho descrito acima. Mas seu destino não foi o planejado pelos algozes: o barco, mesmo em chamas, chegou a uma ilha da Itália (mais precisamente onde hoje é a cidade de Lacco Ameno), e encontraram o corpo de Restituta sem nenhum ferimento. Porém, as violências que sofreu a conduziram à morte, e ali foi depositada e foi criada para si a maior igreja em seu nome. A título de curiosidade: esta pequena cidadezinha insular italiana comemora até hoje fervorosamente esta festa, inclusive com a representação do martírio da santa. Interessantíssimo.

Mas o assunto que gostaria de abordar rapidamente tendo por base Santa Restituta é a coragem dos mártires: o que movem os cristãos a viverem, ou melhor, entregarem suas vidas a Cristo, chegando até mesmo ao martírio? Lia ontem um texto de uma discussão entre dois filósofos políticos italianos, que falavam exatamente sobre o que move as grandes obras de caridade da Igreja naquele país, e podemos dizer, no mundo todo. Eles arriscam dizer que é o temor (no sentido mesmo de medo) das penalidades de Deus. Depois concluem que só de medo ninguém obedece ninguém; os cristãos esperam mesmo é uma recompensa: fazem tudo pensando no Reino dos Céus que irão receber. Concluem dizendo que isto a república (o Estado) nunca poderá oferecer, e que pode acabar cegando as pessoas.

Sem entrar em outros méritos e/ou fazer rodeios, digo: não é também a promessa de eternidade que move o cristão. Da mesma forma que não acredito que o medo da punição possa segurar os ímpetos de alguém, a fé numa recompensa distante também não consegue. Seria como nos muitos romances onde a mocinha aguarda o amado no cais (ou em qualquer outro lugar), sem olhar mais para ninguém até quando ele chegar. Num mundo cheio de seduções como o nosso, isso é possível? É tão “manipuladora” assim a proposta de Jesus? Não, óbvio que não. Este é o olhar ignorante de alguém que não conhece a fé por dentro. Nem medo, nem privilégios: o que faz com que cristãos como Santa Restituta se entreguem é a certeza de que conhece a Verdade, e que só seu Mestre tem palavras de Vida Eterna. E, realmente, isso ninguém mais pode nos oferecer. Santa Restituta, rogai por nós!

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