O Anti-Catolicismo institucionalizado

A Igreja católica é hoje a instituição mais perseguida, criticada e humilhada da sociedade humana. Ainda não consegui chegar à conclusão de quais são as razões para tal conceito que existe diante dela, mas eles vem certamente do final da Idade Média, que os renascentistas e iluministas chamaram de “idade das trevas”, e – principalmente – da militância comunista/marxista e sua sanha sanguinolenta contra ela.

Tal implicância está no cerne da ideologia pós-moderna ética e politicamente correta, e mostra a face verdadeira das crenças dos tempos atuais: como o esclarecimento científico deixou as pessoas num criticismo intolerante, banal e degradante. A institucionalização do anti-catolicismo está presente no governo (principalmente sob o Partido dos Trabalhadores), na imprensa e nos órgãos de terceiro setor.

Nos grandes jornais, principalmente nos escritos, os ataques são freqüentes e diretos. A Folha de S. Paulo escalou Helio Schwartsman para figurar quatro vezes por semana na página A2, com a simples função de “desmistificar” o mundo, com ataques cotidianos diretos e indiretos à Igreja. Na última Páscoa, apareceu na página A3 um artigo chamado “A Paixão de Cristo segundo Marx”, não soubessem eles o quanto o teórico alemão já causou de dano e morte – isso mesmo – na instituição.

Dias atrás, apareceu outro artigo, chamado “A vitória da teologia da prosperidade”, de um doutor em demografia de 58 anos chamado José Eustáquio Diniz Alves, vinculado ao IBGE. Qual seu destaque em nível nacional? Não sei. Por que ele está ali? Mistério. Mas seu artigo é uma representação do preconceito e do ódio frente à Igreja. Talvez por isso tenha sido escolhido. Eu também o escolhi e o postarei abaixo, com meus devidos comentários a cada argumento seu, como ensina Reinaldo Azevedo a fazer frente a falácias sofistas comunistas. Vejam o que acham.

 

José Eustáquio Diniz Alves

TENDÊNCIAS/DEBATES

A vitória da teologia da prosperidade

A “opção pelos pobres” da Igreja Católica não evita o seu declínio. O que se difunde mesmo é a doutrina Joãozinho Trinta: “Pobre gosta é de luxo”

A linha fina já dá o tom da baixaria. Como se a “opção pelos pobres” fosse algo atual, pensado de maneira mercadológica pela Igreja. Como se a Igreja estivesse em “declínio”, como uma doença. E arremata com uma constatação muito avançada, não?

Quando eu era criança, mais de 92% da população brasileira era católica. Minha mãe, mulher de pouco estudo e muita fé, me levou para a primeira comunhão, para as missas dominicais e procissões.

Ficou marcado na minha memória uma romaria que fizemos a Congonhas (MG), onde conheci demonstrações de catarse coletiva, além das estátuas de Aleijadinho.
Quem fala “catarse coletiva” está jogando tudo pro plano psicológico. É a infalibilidade freudiana. Já dá pra ver qual é a crença do senhor.

Mas eu não segui os passos do catolicismo. Primeiro, porque não entendia as homilias dos cultos. Segundo, porque o mundo da mística cristã estava muito distante da realidade nua e crua da minha lida diária. A Igreja ajudava pouco.
Miguel Kater Filho acharia isso lindo: olhe como a Igreja não lê as necessidades de seus “clientes”. Amigos: Igreja não é negócio, fiel não é consumidor. Existem padres ruins pra transmitir a mensagem, ok, mas o fiel tem que se esforçar um pouco pra captar o mistério, não?

Existia até uma certa rejeição. Uma brincadeira comum entre os meninos era dizer que “quem chegar por último é mulher do padre” -e era grande o esforço para não ficar para trás. E um pecado: confesso que nossa turma de garotos chegou a praticar bullying contra coroinhas, embora ninguém na época soubesse o significado da palavra.

O fato é que a doutrina católica não foi a referência para o destino da maioria dos meus colegas.
Não dá pra saber se a “certa rejeição” era algo infantil ou uma sabedoria precoce. Talvez os dois se cruzem…

Por meio do ensino público e laico, estudei e aprendi com Max Weber que a realidade da minha infância e adolescência era apenas um pequeno retrato do conflito entre o lado sagrado da religião e o processo de dessacralização do mundo.

Considerando a teoria do sociólogo alemão, os dados do censo 2010 não surpreendem ao mostrar que o Brasil, embora mais evangélico, está ficando menos sacralizado.
Assassinando a teoria de Weber, nosso amigo doutor quer buscar referência pro seu argumento. Nem no meu TCC isso passaria. Qualquer resumo da Wikipedia de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” prova que não tem nada a ver com essa ladainha do doutor.

O discurso da “opção preferencial pelos pobres” da Igreja Católica não tem sido capaz de evitar o fim do monopólio católico no país. O que se difunde no Brasil é a doutrina de Joãozinho Trinta: “Pobre gosta é de luxo”.
O grande centro argumentativo do texto: reparem que é totalmente vazio de sentido.

A lógica econômica tem prevalecido sobre a dinâmica puramente religiosa. A teologia da prosperidade tem atendido melhor as expectativas de consumo e os interesses egoísticos das diferentes camadas sociais.
Falar em Teologia da Prosperidade não é falar de qualquer coisa: é um movimento de igrejas pentecostais de 3ª geração. Os dados do censo mostraram que estas igrejas não se expandiram. Quem cresceu foi principalmente a Assembleia de Deus, que não defende tal doutrina.

Como disse o sociólogo Flávio Pierucci em artigo póstumo, a sociedade não precisa mais de um Deus transcendente quando os indivíduos pagam pelos serviços prestados em nome dele e transformam os bens tangíveis em ideal divino.

Atualmente, o que se considera sagrado é o consumo.
Mais uma citação vazia, agora de outro tipo: de um texto apócrifo e desconhecido. Também uso essa tática em trabalhos da faculdade quando busco defender idéias nonsense como essa.

O crescimento das correntes evangélicas pentecostais no país tem sido compatível com o fato de que o sagrado está cada vez mais comercializado e dessacralizado. É o Brasil cada vez mais desencantado.
Opa, já mostrei como isso é falso feito nota de 30. Igrejas pentecostais de 1ª geração (Assembleia de Deus) e 2ª (p.ex. Quadrangular) são tão moralistas – e até mais – que a Igreja. São eles que fazem as grandes “Marchas para Jesus”. O conhecimento desse senhor sobre religião é uma enormidade.

Isso não significa que não seja espantoso, claro, o ritmo com que a Igreja Católica tem perdido adeptos. E a perda tem sido maior entre as mulheres e os jovens. Em tese, é possível estancar essa sangria. Em 2013, o papa vem ao Brasil para falar especialmente às mulheres e jovens.
“Mas meu alvo é mesmo a Igreja católica”, poderia ele falar. Essa parte de falar com as mulheres eu não entendi. O papa Bento XVI vem para a Jornada Mundial da Juventude. Qualquer perspectiva feminista eu desconheço.

Será difícil, porém, agradar as mulheres mantendo o sexo feminino excluído da hierarquia eclesiástica. Será difícil atrair jovens proibindo o sexo antes do matrimônio. Será difícil ampliar o número de padres mantendo o celibato religioso -e será quase impossível manter a filiação das pessoas de bom senso enquanto a doutrina católica continuar rejeitando os métodos contraceptivos modernos e proibindo o uso da camisinha, tão importante para evitar doenças sexualmente transmissíveis.
Aí sim! Os velhos argumentos contra a Igreja. Que coisa mais atrasada! Virgindade, celibato, abstinência, pra quê? Vivemos num mundo moderno! Caro Sr. José, será mesmo tamanha novidade pessoas quererem transar livremente? Talvez as festas de Baco deveriam ser um puritanismo só. Talvez a “profissão mais antiga do mundo” seja a de freira. Santa Paciência: a Igreja sempre defendeu isto e o mundo sempre quis o contrário. Olhe pra história! É isto que causará nosso “declínio”?

Não será fácil também reverter a debandada do rebanho quando o Vaticano assume na Rio+20 posições anacrônicas, contra os direitos sexuais e reprodutivos.
“Debandada do rebanho”… O problema do Vaticano no Rio+20 foi sobre questões sexuais e reprodutivas? Freud, Freud…

A Igreja Católica pode virar o jogo, mas terá de mudar o discurso e a prática.
Ah, que ótimo. Sei que o que ele quer é nosso melhor. Talvez seja porque trata-se de um fiel tão comprometido, desde menino. Mas ficou mais claro pra mim: pra Igreja sobreviver, ela tem que “liberar geral” na questão sexual! Maravilha. Só não sei qual seria a diferença entre uma catedral e uma casa de suingue, mas se é a segunda que está na moda, então vamos todos para lá! Seria engraçado e patético, não soubéssemos a orquestração e a perseguição que existem por trás destes frouxos argumentos. Brindem com nosso “declínio”! Nós continuaremos brindando do mesmo jeito que fazemos há 2.000 anos.

Fonte do artigo: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/52906-a-vitoria-da-teologia-da-prosperidade.shtml
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