Apologia à livre-iniciativa político-econômica

Quando se trata de política, bem como em qualquer outro tipo de circunstância da minha vida, digamos que sou bem apegado às ideias, às ideologias e às teorias. Não simplesmente considerando-as como um pressuposto fundamental para a história e construção social, mas como algo ativo, atuante, fundamental no nosso cotidiano. Se assim considero a religião e as relações sociais, por que não seria com a política e os parâmetros democráticos? Podem me chamar de “romântico” ou “irrealista”, mas desde que me conheço por gente este é o meu jeito: não me sinto seduzido pelo pragmatismo (às vezes mais eficiente, confesso) da maioria das pessoas.

 Por isso, mesmo quando se tratam de eleições municipais (como a de dias atrás), ainda olho, observo e analiso o partido pelo qual o candidato concorre; e isto é fundamental no meu voto. Por isso que já faz alguns anos que faço parte da Juventude Democratas; por isso que faço um TCC sobre como o debate público é tão importante para a democracia quanto o jogo político e o voto em si. Porque sou um liberal. Não um neoliberalista, defensor ufanista da santidade do mercado, das privatizações impensadas e da queda dos impostos para os mais ricos. Se fosse americano, seria republicano, sim, mas não do Tea Party. Como defender algumas vigarices que pessoas como Paul Ryan proclamam em nome da “nação”?

 Mas gosto de me considerar parte da “Old School” liberalista, descendentes diretos do velho Smith, que confiava ao homem seu próprio destino; acreditava em sua capacidade organizativa, criativa e empreendedora, nos mais variados âmbitos de sua vida. A “mão invisível” não é proveniente do mercado selvagem de ações, dos grandes magnatas e “Eikes” que controlam montanhas de dinheiro de seu tablet, de banqueiros que financiam até mesmo grupos terroristas para aumentar sua fluidez financeira. Quem tem o poder de controlar a economia (e a política, consequentemente) é o “little farmer”, o pequeno-burguês, o homem que valoriza o trabalho, a família e a palavra.

 Já que no fim das contas, a política mundial hoje se resume a duas correntes majoritárias: aqueles que defendem maior participação do Estado, e os que buscam maior liberdade da iniciativa privada. Os primeiros, ainda influenciados pelo ideal socialista, de criação de uma cúria de poucos que roguem pelo bem de muitos, do provimento de tudo que o povo precise e correção de desigualdades à força (vide Chavez, eleito por mais seis anos presidente venezuelano). A outra corrente, da qual participo, é aquele que não troca sua liberdade por qualquer tipo de remédio de correção de postura, nem por cirurgias que limitem nossa visão e nossa voz. Aqueles que acreditam nos empreendedores cidadãos individuais.

 Desde há muito tenho pavor da justiça “mutilante” da esquerda; no Ensino Médio li o “Manifesto do PC”, e já farejei que algo havia de torto e cruel em tamanho anseio de justiça. Se não estou na esquerda, estou na direita, sim. Mas não recebo de jeito nenhum a alcunha de “conservador”, até porque no Brasil ninguém pode ser conservador: como torcer para que as coisas se conservem como estão, se vão mal para todos? Mas também considero que no Brasil não poderiam existir pessoas que apoiassem o aumento do Estado, pois como posso querer mais iniciativa pública, sendo que ela é marcada quase em sua totalidade por lentidão, ineficiência, desperdício de capitais (financeiro e humano) e altos impostos nas costas do povo?

Esta é minha orientação política: um liberal, alguém que é visto como um inimigo público na sociedade atual. “Como é possível não desejar a justiça social? Como não querer o socialismo?” É só olharmos para os partidos: só existe UM que não possui referência à raiz “social” em seu nome. Mas não, não quero ver as desigualdades aumentadas, nem a miséria moral do mercado dominando nossas consciências. Só quero que valorizemos as responsabilidades, e que as desigualdades sejam corrigidas pelo justo proceder tanto dos que mandam, quanto dos que elegem. Não troco a livre-iniciativa por uma receita fácil e provocante de igualdade, que geralmente só é desculpa para que poucos possam ter ascendência sobre muitos e deles fazerem o que bem entender. Não troco a “mão invisível” pela “mão pesada” do Partido. Não troco meus direitos, nem meus deveres. Adam Smith não morreu!

Anúncios
Explore posts in the same categories: Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: