Halloween: o que há do outro lado?

As festas em culto dos mortos são tão antigas quanto a própria humanidade. Responder as questões “de onde viemos” e “para onde vamos” são tão inatas ao homem quanto andar sobre duas patas, cozinhar e amar. A curiosidade acerca do que acontece após a morte e principalmente a fé em que algo existe depois do fim dessa vida são naturais da nossa espécie. Também o medo de enfrentar todos estes assuntos.

Portanto, unindo todos estes fenômenos a uma outra característica humana, o senso de humor, temos como algo corriqueiro festas como o Halloween. Os mexicanos nos ensinam bem: se celebramos a vida, por que não celebrar a morte? Por que não olhar pra ela, encará-la destemidamente? É claro que tal ideia desse povo latino vem das raízes ancestrais maias e seus complexos padrões de vida-e-morte, mas também de sua fé cristã.

O cristão é aquele que, de maneira quase inédita no mundo, não teme a morte. Vale deixar claro: ele também não desvaloriza a vida, mas é exatamente por amá-la e cultivá-la ao extremo que não vê na morte algo ameaçador: àquele que vive bem sua vida só pode haver vida após seu fim. Assim nos ensinou Jesus Cristo, o Ressuscitado. Aquele que desceu ao “Vale dos Mortos” para dar vida àqueles que lá estavam. O Senhor da Vida.

O mundo de hoje, porém, vive o embate (surdo e mudo) entre duas facções: os céticos, porta-bandeiras do ateísmo científico, que acham que debater morte é inútil, uma discussão mistificada, que deveria ser vista de um modo mais funcional pra própria alegria do homem; e do outro lado os “novos cristãos”, protestantes brigadores que desejam reenraizar (existe isto?) a crença em Cristo. Para estes, qualquer louvor à morte é blasfêmia, obra do Maligno, ocultismo, animismo barato.

A questão é que, como cristãos, não devemos temer a morte nem o mal. Encará-los, espreitá-los e enfrentá-los deve ser tarefa básica daqueles que tem fé. Digo isto pois os que não a tem não podem fazer pois acham que mal, morte, bem e vida são valores relativos; os agnósticos, por sua vez, estão no impasse de decidir se crêem em Deus por temor do desconhecido ou se tapam os ouvidos e os olhos para manter-se na ignorância de uma vida material e acessível aos dedos. Preferem ver filmes de terror e pensar em tais coisas folcloricamente.

Não é à toa que a tradição moderna do Halloween surgiu nos Estados Unidos: a postura cética e positiva desse povo é prato cheio para se “folclorizar” até mesmo os monstros e as lendas. Não, não estou falando em comércio e mercado, mas até poderia. A questão é que pensar nos mortos, no outro mundo, nos fantasmas, é natural, como afirmei. A tradição cristã nos dá uma interpretação madura de todas essas coisas que nos impede de cair num “supersticionismo” tacanho, num medo de fantasmas, numa crença em chupa-cabras, sacis e vampiros.

Olhar a morte com os olhos da fé e saber bem valorizar e respeitar a própria vida. Encarar o mal com a vista do bem é saber trilhar uma missão única de valorização do próprio homem. Viver o Halloween é entrar numa luta muito maior do que cogitamos, num enredo muito mais abrangente do que cremos, numa estrada muito mais séria do que visualizamos no nosso dia-a-dia. Crer nos espíritos e nos santos é crer que há um valor maior na vida do que simplesmente um conjunto de sistemas do organismo. Viver de olhos abertos ao transcendente é sair do conto-de-fadas de um mundo planejado, laboral e de aparências. Feliz Halloween!

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