E a democracia cai pela própria boca

Sempre acreditei – e tudo que estudei e pensei me reforçou isso – que a democracia era um estado condizente ao ser humano; a liberdade, sua principal característica, devia ser defendida acima de qualquer outro valor. Hoje, temos a alegria de viver num país democrático, mas começo a questionar se as pessoas a desejam tanto assim.

Digo isso pois nos últimos tempos movimentos supostamente de “direitos das minorias” e outros tem feito uma pressão enorme para constranger a pérola da democracia: a liberdade de expressão. Toda vez que a liberdade está ameaçada, este é o primeiro dos seus frutos a ser cortado do pé. Isso se dá pela força que a comunicação tem: pra ela não existem barreiras, fuzis ou caras-feias.

Eis os fatos que me levaram a essa reflexão: 1) o grupo de humor “Porta dos Fundos” – que está longe do meu gosto – fez esquetes satirizando a religião cristã. Houve manifestação de artistas falando sobre os limites de humor, e de líderes religiosos defendendo sua fé; ambos pediram ações concretas para impedir que o grupo volte a realizar coisas do gênero.

2) a dupla sertaneja “João Carreiro & Capataz”, que ressuscita o homem do interior, suas ideias, sua “xucrisse”, seu orgulho de ser simples, cujo hino é a música “Bruto, Rústico e Sistemático”, foi acionada judicialmente por associações de gays e lésbicas, por suas letras “homofóbicas”. Tiveram de se retratar em seu website, e as ações de indenização que correm fizeram com que eles decidissem dar uma pausa na carreira.

No primeiro caso, a dificuldade de lidar com a crítica, com gente que pensa diferente e para expor seu ponto de vista usa da ridicularização (que sempre existiu). Solução: mandem-nos calar a boca. No segundo, a impossibilidade de se compreender uma cultura diferente da sua, que também destoa de suas opiniões e seu way-of-life. Solução: ação na justiça e mandem-nos calar a boca.

A imaturidade política e a falta de vontade de debate e diálogo mostram que grande parte dos grupos estão longe de querer viver numa democracia, e gostariam sinceramente de um regiminho totalitário cujas propostas fossem as mesmas das suas. Quando os formadores de opinião, igrejas, órgãos de classe, associação de interesses, empresas, artistas, humoristas, e etc., vão conseguir entrar no jogo onde todos tem voz e vez?

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