E a democracia cai pela própria boca

Publicado 10/01/2014 por Vinícius LF
Categorias: Política

Sempre acreditei – e tudo que estudei e pensei me reforçou isso – que a democracia era um estado condizente ao ser humano; a liberdade, sua principal característica, devia ser defendida acima de qualquer outro valor. Hoje, temos a alegria de viver num país democrático, mas começo a questionar se as pessoas a desejam tanto assim.

Digo isso pois nos últimos tempos movimentos supostamente de “direitos das minorias” e outros tem feito uma pressão enorme para constranger a pérola da democracia: a liberdade de expressão. Toda vez que a liberdade está ameaçada, este é o primeiro dos seus frutos a ser cortado do pé. Isso se dá pela força que a comunicação tem: pra ela não existem barreiras, fuzis ou caras-feias.

Eis os fatos que me levaram a essa reflexão: 1) o grupo de humor “Porta dos Fundos” – que está longe do meu gosto – fez esquetes satirizando a religião cristã. Houve manifestação de artistas falando sobre os limites de humor, e de líderes religiosos defendendo sua fé; ambos pediram ações concretas para impedir que o grupo volte a realizar coisas do gênero.

2) a dupla sertaneja “João Carreiro & Capataz”, que ressuscita o homem do interior, suas ideias, sua “xucrisse”, seu orgulho de ser simples, cujo hino é a música “Bruto, Rústico e Sistemático”, foi acionada judicialmente por associações de gays e lésbicas, por suas letras “homofóbicas”. Tiveram de se retratar em seu website, e as ações de indenização que correm fizeram com que eles decidissem dar uma pausa na carreira.

No primeiro caso, a dificuldade de lidar com a crítica, com gente que pensa diferente e para expor seu ponto de vista usa da ridicularização (que sempre existiu). Solução: mandem-nos calar a boca. No segundo, a impossibilidade de se compreender uma cultura diferente da sua, que também destoa de suas opiniões e seu way-of-life. Solução: ação na justiça e mandem-nos calar a boca.

A imaturidade política e a falta de vontade de debate e diálogo mostram que grande parte dos grupos estão longe de querer viver numa democracia, e gostariam sinceramente de um regiminho totalitário cujas propostas fossem as mesmas das suas. Quando os formadores de opinião, igrejas, órgãos de classe, associação de interesses, empresas, artistas, humoristas, e etc., vão conseguir entrar no jogo onde todos tem voz e vez?

Anúncios

Sexo Nowadays

Publicado 29/12/2013 por Vinícius LF
Categorias: Viagens

A sexualidade é um assunto delicado. Não falar de sexo é um atalho para a ignorância e para cometer grandes bobagens que a vida cobra o preço. Falar de sexo, porém, do jeito que está sendo feito ultimamente, também não sei se traz muitos benefícios. Talvez seja eu muito tradicionalista e antigo, mas três fatos me assustaram nos últimos dias.

Estava eu fazendo algo que só as férias me permitem: ver TV. Por acaso, era um capítulo de uma novela. Mais acaso ainda de ser a atual das 21h, Amor à Vida. Desatualizado estava eu, sem saber que o “sexo casual” havia se tornado algo tão corriqueiro no drama. No capítulo que assisti, foram nada menos que quatro ou cinco cenas seguidas. Desde Suzana Vieira e sua velhice indecorosa, até Bárbara Paz e sua cara de ontem, até Tatá Verneck e sua sensualidade forçada (saudades dela na MTV).

Dias depois, insisti em ser telespectador. Fui ver futebol de areia, no Esporte Espetacular, lá pelas 10h da manhã. Me deparo (e o choque foi o mesmo), com a propaganda de camisinhas Olla, cuja personagem principal é a MC Anitta (novo ideal de mulher?). A propaganda traz várias mulheres sendo jogadas na cama como troféus depois de uma noite de azaração. O slogan: “Viva a pegação”.

Por fim, vi na internet a notícia de que no Rio um grupo de mulheres havia feito um “toplessaço” protestando contra a “criminalização” do corpo (o que exatamente seria isso eu não sei).

Eu sou jovem, cresci nesse mundo da informação, não me considero ingênuo; mas gostaria sinceramente que alguém me explicasse de onde isso tudo vem e, principalmente, para onde isso pode nos levar. Mas prevejo que as mulheres e as famílias são as principais vítimas.

Construindo uma verdadeira República

Publicado 22/11/2012 por Vinícius LF
Categorias: Política

É unanimidade ouvir pelos jornais e programas políticos a ideia de que o Brasil deve se orgulhar por sua tradição democrática, que é recente mas sólida, e que não possui perspectiva de ser atacada ou ferida nos próximos tempos. E isto é mérito de grandes homens que passaram pelo comando de nosso país em décadas passadas, e que organizaram o que era feito de maneira circense.  Principalmente homens do legislativo da época da redemocratização que forjaram a “Constituição Cidadã” que impera sobre nós hoje. Também homens do judiciário, em especial dos tribunais eleitorais, que deram legitimidade a eleições que até muito pouco eram fraudes deslavadas.

Hoje nós vamos votar com a certeza de que nosso voto vai ser computado corretamente, e que faremos parte daquela porcentagem diluída que aparecerá no resultado final da apuração, que sai em pouco mais de uma hora, dependendo do tamanho da cidade e do estado. São juízes honrados que ainda hoje fazem com que nossa democracia seja realmente inabalável e inquestionável, até mesmo por aqueles que tem sede de poder e fariam tudo para ali se perpetuar infinitamente. Mas será que uma democracia tão estável quanto imposta (votar é obrigatório e justificar ausência não é simples) consegue chegar ao seu objetivo maior? Será que a mão pesada do TSE consegue nos transformar numa verdadeira República?

Óbvio que não estou defendendo aqui o fim do sufrágio universal, direito mais do que claro e estabelecido; mas penso que o mundo todo – e não só o Brasil – se questiona se as atuais democracias podem fabricar uma República, ideal ainda mais antigo e abstrato sobre política. Por quantos séculos a palavra “república” não foi utilizada como um mero eufemismo de lideres e grupos que governavam “pelo povo e para o povo”, mas que na verdade assentavam-se em seus tronos, que quando não eram de “direito divino” eram de “direito próprio”? Quantas Repúblicas não foram máquinas de matar, comandadas por cúpulas, famílias e oligarquias, como acontece hoje na Síria?

O que falo de República é ao mesmo tempo num sentido clássico e moderno: clássico no âmbito da coisa pública, de que o Estado é um servidor do povo, é a formação do próprio povo que se organiza para estabelecer suas próprias leis, ao contrário de um Estado automático e violento. Mas também não se trata de “povo” como pensavam os antigos gregos e romanos, que não consideravam mulheres, crianças, estrangeiros e escravos como parte deste. Hoje sabemos que todos e cada um é povo, mesmo aqueles que não tem pleno exercício de suas faculdades ou ainda nem saíram do útero de suas mães.

Portanto chegamos a uma inversão – eu, você, os movimentos de juventude da Europa (15M) e do Oriente Médio (Primavera Árabe) – dos conceitos que outrora eram pensados: lutou-se pelo sufrágio, para que houvesse uma verdadeira demo-cracia, para que a República se sentisse legitimada. Hoje, assistimos uma participação popular massiva (porque assim é imposto), que não se converte em transformações verdadeiras deste próprio povo que vota. O Estado continua sendo “res privatum” (meu latim é péssimo), direito de partidos e oligarquias que não – em hipótese alguma – não representam os interesses coletivos, mas somente os seus próprios.

Na Europa os jovens estão indo às ruas. Nos países árabes também. E no Brasil? No Brasil – como em quase toda a América Latina – temos um processo longuíssimo para tentar esclarecer as coisas. As pessoas ainda assistem julgamentos como a AP 470 (mensalão) como uma novela, um folhetim televisivo. Não se trataria do nosso país, do nosso dinheiro, do nosso futuro; mas de personagens especificamente tramados por um Manoel Carlos, por uma Glória Perez, servindo ao entretenimento e uma “revolta de sofá”. “Sociedade do Espetáculo”? Não, muito mais do que isso: total descolamento da realidade política, desapego total ao que é público, falta de interesse em sair do seu próprio círculo e invadir outros; algo que existe nestas terras muito antes da televisão.

Penso que somente a informação e a educação podem mostrar às pessoas que a vida delas é reflexo de ações e decisões que são tomadas muito além do próprio quarteirão. Mas não pensem que tais elementos transformam automaticamente as mentes; é evidente que grande parte dos intelectualizados e letrados continuam tão passivos (ou mais) do que os analfabetos. Mas outro caminho não há do que despertar aos poucos a consciência de que o que afeta o outro também me afeta; de que Brasília é o quintal de minha casa; que o Palácio do Alvorada é meu encarregado. Isto é República.

Assumir este papel é principalmente função da sociedade civil, já que do Estado e das empresas (altamente envolvidos nas benesses interesseiras) é difícil esperar algo. É função minha, sua. A sociedade democrática brasileira precisa começar a mudar por algum lado: que seja o nosso. Iniciemos ao nosso derredor a construção da verdadeira República Brasileira, que anseia por tornar-se grande desde quando Joaquim Duque Estrada a chamou de “Florão da América”, em 1909.

Halloween: o que há do outro lado?

Publicado 04/11/2012 por Vinícius LF
Categorias: Lazer, Religião, Viagens

As festas em culto dos mortos são tão antigas quanto a própria humanidade. Responder as questões “de onde viemos” e “para onde vamos” são tão inatas ao homem quanto andar sobre duas patas, cozinhar e amar. A curiosidade acerca do que acontece após a morte e principalmente a fé em que algo existe depois do fim dessa vida são naturais da nossa espécie. Também o medo de enfrentar todos estes assuntos.

Portanto, unindo todos estes fenômenos a uma outra característica humana, o senso de humor, temos como algo corriqueiro festas como o Halloween. Os mexicanos nos ensinam bem: se celebramos a vida, por que não celebrar a morte? Por que não olhar pra ela, encará-la destemidamente? É claro que tal ideia desse povo latino vem das raízes ancestrais maias e seus complexos padrões de vida-e-morte, mas também de sua fé cristã.

O cristão é aquele que, de maneira quase inédita no mundo, não teme a morte. Vale deixar claro: ele também não desvaloriza a vida, mas é exatamente por amá-la e cultivá-la ao extremo que não vê na morte algo ameaçador: àquele que vive bem sua vida só pode haver vida após seu fim. Assim nos ensinou Jesus Cristo, o Ressuscitado. Aquele que desceu ao “Vale dos Mortos” para dar vida àqueles que lá estavam. O Senhor da Vida.

O mundo de hoje, porém, vive o embate (surdo e mudo) entre duas facções: os céticos, porta-bandeiras do ateísmo científico, que acham que debater morte é inútil, uma discussão mistificada, que deveria ser vista de um modo mais funcional pra própria alegria do homem; e do outro lado os “novos cristãos”, protestantes brigadores que desejam reenraizar (existe isto?) a crença em Cristo. Para estes, qualquer louvor à morte é blasfêmia, obra do Maligno, ocultismo, animismo barato.

A questão é que, como cristãos, não devemos temer a morte nem o mal. Encará-los, espreitá-los e enfrentá-los deve ser tarefa básica daqueles que tem fé. Digo isto pois os que não a tem não podem fazer pois acham que mal, morte, bem e vida são valores relativos; os agnósticos, por sua vez, estão no impasse de decidir se crêem em Deus por temor do desconhecido ou se tapam os ouvidos e os olhos para manter-se na ignorância de uma vida material e acessível aos dedos. Preferem ver filmes de terror e pensar em tais coisas folcloricamente.

Não é à toa que a tradição moderna do Halloween surgiu nos Estados Unidos: a postura cética e positiva desse povo é prato cheio para se “folclorizar” até mesmo os monstros e as lendas. Não, não estou falando em comércio e mercado, mas até poderia. A questão é que pensar nos mortos, no outro mundo, nos fantasmas, é natural, como afirmei. A tradição cristã nos dá uma interpretação madura de todas essas coisas que nos impede de cair num “supersticionismo” tacanho, num medo de fantasmas, numa crença em chupa-cabras, sacis e vampiros.

Olhar a morte com os olhos da fé e saber bem valorizar e respeitar a própria vida. Encarar o mal com a vista do bem é saber trilhar uma missão única de valorização do próprio homem. Viver o Halloween é entrar numa luta muito maior do que cogitamos, num enredo muito mais abrangente do que cremos, numa estrada muito mais séria do que visualizamos no nosso dia-a-dia. Crer nos espíritos e nos santos é crer que há um valor maior na vida do que simplesmente um conjunto de sistemas do organismo. Viver de olhos abertos ao transcendente é sair do conto-de-fadas de um mundo planejado, laboral e de aparências. Feliz Halloween!

Acerca das convicções e dos fins, que nem sempre justificam os meios

Publicado 28/10/2012 por Vinícius LF
Categorias: Política

Estamos assistindo (literalmente) nos últimos meses um espetáculo muito especial: o julgamento da Suprema Corte de nosso país sobre o caso de corrupção mais asqueroso que certamente já se deram em nossas terras. Quiçá no mundo todo! Afinal, o que há de mais repugnante do que um partido que se elege democraticamente (numa República constituída há poucos anos) e tenta, por meio de desvio de dinheiro público e contribuição de particulares, comprar a casa legislativa maior do país, anulando, enfraquecendo e esmigalhando a própria democracia que os elegeu? Nem mesmo em determinadas “repúblicas de fachada” como Venezuela e em países da África isso seria pensado.

E foi isso que o Partido dos Trabalhadores fez, já concluiu o maior tribunal de nosso país, composto por senhores e senhoras indicados pelo próprio partido, mas que colocaram acima de tudo suas carreiras e o zelo pela nossa jovem Constituição (que leva o país a um patamar de segurança jurídica e política nunca visto). Tal partido fez isto, atestam os juízes em votações que são realmente marcos na história política de nosso país. Celso de Melo (o mais velho na corte), Carlos Ayres Britto, Carmen Lúcia e Luiz Fux protagonizaram verdadeiras aulas de respeito à democracia e valor à República, enfocando que “são os corruptos e corruptores os verdadeiros marginais da ordem estabelecida”, como disse o decano.

Tais homens que foram sentenciados como culpados atuaram em décadas passadas contra o regime de exceção instaurado pelos militares e que durou vinte anos. Foram realmente tempos difíceis, onde poucos ousaram erguer a voz. Então surge uma questão na mente de todos nós, proclamada em alta voz pelos advogados de defesa de tais senhores: como podemos imaginar que homens que deram sua cara à tapa (literalmente, de novo) contra um regime de censura e violência, poderiam depois ter feito tal plano de corroer as bases da Nação, vilipendiando a vontade do povo? Como homens, que hoje tem um padrão de vida modesto, teriam tal sede de poder e dinheiro para retirar milhões de milhões de instituições públicas e repassar para quem quer que fosse?

Não é dever do tribunal responder a estas questões, e o jogo retórico dos advogados era muito mais para as TVs do que para os juízes. Juiz é aquele que vê o que aconteceu e dá as penas em relação a isto, e não acerca da biografia do acusado. E assim procedeu a grande maioria dos magistrados, e afirmaram que – sim – houve tal esquema, operacionalizado pelo Partido dos Trabalhadores a mando do Governo Federal. Para responder, então, às perguntas acima, é preciso entender uma coisa: tais homens lutaram no período ditatorial, e ainda lutam por um ideal, mas este ideal não é a democracia. Tais homens enfrentaram todo tipo de prova, e ainda estão dispostos a enfrentar, como afirmam, por um ideal, mas este ideal não é a República. Estes senhores fazem o que for preciso para o bem de alguém, mas este alguém não é a Nação.

Eles possuem uma convicção muito forte. Forte é de tal maneira exatamente por possuir um senso de justiça. Por, no fundo, acreditarem estar fazendo o bem. Nada é mais forte do que a ideia de que estamos agindo em prol de todos; nem mesmo a luta pela liberdade ou pelos entes queridos. Eles acreditam que são os defensores da verdade, da justiça e do bem-comum. Eles realmente creem que a luta que fazem é para melhorar a vida de todos nós. Eles rezam todos os dias a cartilha que defende a luta pelos pobres, pelos oprimidos, marginalizados; e contra os inimigos que oprimem, que marginalizam, que usam do suor do povo para aumentar sua lucratividade.

E para atingir tal fim, para defender tal ideal, eles estariam dispostos a fazer qualquer tipo de ação, a valer-se de qualquer tática. Surrupiar dinheiro público? Ok. Menosprezar os outros poderes republicanos? Fácil. Tornar eleições algo inútil? Tranquilo. Agendar seus interesses nas escolas, universidades e sindicatos? Válido. E foi isto que fizeram, tudo em prol de tal ideal, representado pelo Partido. Para eles, o crescimento do Partido é a segurança do bem estar de todos. As regalias das lideranças são o passo necessário para um dia isto ser distribuído para o povo, para os trabalhadores.

Como eles entraram em tal loucura? Não sei. Só sei que a “república do Partido” é o que há de mais insolente e perigoso que já existiu no mundo. Mina os interesses de todos nós; vende nossas almas a um ente perigosamente ganancioso. E a ganância é o codinome do mal. Seja ganância pelo dinheiro ou pelo poder, em nome de si próprio ou do povo, ela é sempre a mesma. Não interessa se o objetivo é bom: a nossa Suprema Corte está ensinando a estes camaradas que os fins nunca justificam os meios. Mas provavelmente eles não aprenderão. Acreditam ser só mais um passo na luta.

Apologia à livre-iniciativa político-econômica

Publicado 22/10/2012 por Vinícius LF
Categorias: Política

Quando se trata de política, bem como em qualquer outro tipo de circunstância da minha vida, digamos que sou bem apegado às ideias, às ideologias e às teorias. Não simplesmente considerando-as como um pressuposto fundamental para a história e construção social, mas como algo ativo, atuante, fundamental no nosso cotidiano. Se assim considero a religião e as relações sociais, por que não seria com a política e os parâmetros democráticos? Podem me chamar de “romântico” ou “irrealista”, mas desde que me conheço por gente este é o meu jeito: não me sinto seduzido pelo pragmatismo (às vezes mais eficiente, confesso) da maioria das pessoas.

 Por isso, mesmo quando se tratam de eleições municipais (como a de dias atrás), ainda olho, observo e analiso o partido pelo qual o candidato concorre; e isto é fundamental no meu voto. Por isso que já faz alguns anos que faço parte da Juventude Democratas; por isso que faço um TCC sobre como o debate público é tão importante para a democracia quanto o jogo político e o voto em si. Porque sou um liberal. Não um neoliberalista, defensor ufanista da santidade do mercado, das privatizações impensadas e da queda dos impostos para os mais ricos. Se fosse americano, seria republicano, sim, mas não do Tea Party. Como defender algumas vigarices que pessoas como Paul Ryan proclamam em nome da “nação”?

 Mas gosto de me considerar parte da “Old School” liberalista, descendentes diretos do velho Smith, que confiava ao homem seu próprio destino; acreditava em sua capacidade organizativa, criativa e empreendedora, nos mais variados âmbitos de sua vida. A “mão invisível” não é proveniente do mercado selvagem de ações, dos grandes magnatas e “Eikes” que controlam montanhas de dinheiro de seu tablet, de banqueiros que financiam até mesmo grupos terroristas para aumentar sua fluidez financeira. Quem tem o poder de controlar a economia (e a política, consequentemente) é o “little farmer”, o pequeno-burguês, o homem que valoriza o trabalho, a família e a palavra.

 Já que no fim das contas, a política mundial hoje se resume a duas correntes majoritárias: aqueles que defendem maior participação do Estado, e os que buscam maior liberdade da iniciativa privada. Os primeiros, ainda influenciados pelo ideal socialista, de criação de uma cúria de poucos que roguem pelo bem de muitos, do provimento de tudo que o povo precise e correção de desigualdades à força (vide Chavez, eleito por mais seis anos presidente venezuelano). A outra corrente, da qual participo, é aquele que não troca sua liberdade por qualquer tipo de remédio de correção de postura, nem por cirurgias que limitem nossa visão e nossa voz. Aqueles que acreditam nos empreendedores cidadãos individuais.

 Desde há muito tenho pavor da justiça “mutilante” da esquerda; no Ensino Médio li o “Manifesto do PC”, e já farejei que algo havia de torto e cruel em tamanho anseio de justiça. Se não estou na esquerda, estou na direita, sim. Mas não recebo de jeito nenhum a alcunha de “conservador”, até porque no Brasil ninguém pode ser conservador: como torcer para que as coisas se conservem como estão, se vão mal para todos? Mas também considero que no Brasil não poderiam existir pessoas que apoiassem o aumento do Estado, pois como posso querer mais iniciativa pública, sendo que ela é marcada quase em sua totalidade por lentidão, ineficiência, desperdício de capitais (financeiro e humano) e altos impostos nas costas do povo?

Esta é minha orientação política: um liberal, alguém que é visto como um inimigo público na sociedade atual. “Como é possível não desejar a justiça social? Como não querer o socialismo?” É só olharmos para os partidos: só existe UM que não possui referência à raiz “social” em seu nome. Mas não, não quero ver as desigualdades aumentadas, nem a miséria moral do mercado dominando nossas consciências. Só quero que valorizemos as responsabilidades, e que as desigualdades sejam corrigidas pelo justo proceder tanto dos que mandam, quanto dos que elegem. Não troco a livre-iniciativa por uma receita fácil e provocante de igualdade, que geralmente só é desculpa para que poucos possam ter ascendência sobre muitos e deles fazerem o que bem entender. Não troco a “mão invisível” pela “mão pesada” do Partido. Não troco meus direitos, nem meus deveres. Adam Smith não morreu!

Humanas Guerras Santas

Publicado 13/10/2012 por Vinícius LF
Categorias: Política, Religião

Mais um 11 de setembro passou, e outra vez surgem os conflitos entre EUA e Islã, gerando violência e morte por todos os países árabes e muçulmanos. Neste ano, a vítima de destaque foi um embaixador americano morto na anencéfala Líbia. O crime aconteceu diante de protestos de muçulmanos contra um filme (de péssima qualidade, por sinal) feito nos EUA que mostra Maomé (o que já é um crime para eles), de uma maneira satirizada acerca de fatos da sua vida (que não são necessariamente mentiras).

O suficiente para explodir manifestações em onze em cada dez países da região, e também para colunistas e escritores (defensores extremados da “primavera árabe”) culparem a cegueira de “radicais cristãos norte-americanos”. Sim, sei da imensa influência do argumento de que as guerras do mundo são guiadas pela religião, e que ela – em especial o cristianismo – são o principal combustível para o derramamento de sangue no decorrer da história da humanidade.

Em texto publicado hoje na Folha de S. Paulo, o inteligente e renomado colunista Clóvis Rossi fala sobre como a mistura de religião e política geram ódio, mortes e violência. O título do artigo é “Em nome do Pai, do Filho e do Ódio”, uma clara referência à fé cristã (fossem as situações invertidas, talvez tal jogo de palavras já seria suficiente para poloneses e italianos saírem ateando fogo a embaixadas brasileiras em seus países). Esquece Rossi de afirmar – e tal esquecimento me parece sempre proposital – o número de regimes na história que mataram muito: não em nome de Deus, mas em nome “do povo”; regimes muito caros a uma tal parcela da intelectualidade.

Mas meu objetivo não é, com esse texto, levantar acusações contra o islã (apesar do levante de violência estar sendo evocado pela Irmandade Muçulmana, oficialmente); nem ainda jogar nas costas dos regimes comunistas o papel de vilões da história (apesar de terem prendido, torturado e matado mais gente que o Nazismo, a Inquisição e a Al Qaeda somados); nem ainda fazer um desagravo da história cristã, pedindo que meus irmãos de religião se levantem contra certos “acadêmicos” da dialética de um lado só (apesar de tais merecerem um pouco de confrontação).

Venho tentar explicar que, ao contrário do que afirma Rossi na primeira linha do seu artigo, a receita certa para o horror não é “misturar Deus (qualquer Deus) ou seus profetas com política”, mas sim misturar a política com a religião. Será tão difícil perceber que as grandes guerras ditas “religiosas” aconteceram imperiosamente por desejos, digamos, mundanos, de busca de riquezas, influência e poder? É tão complicado perceber que a tal Irmandade Muçulmana é um partido político muito mais do que um poder religioso? É forçoso demais notar que homens católicos como o Cardeal Richelieu são muitíssimo mais homens de armas e púlpitos do que de ambão e sacristia?

Ou talvez tratar a política como ela atualmente é (rasteira, carnal e egoísta) seria fugir – aí sim – de uma utopia que faz ainda com que muitos jornalistas e comentaristas continuem obtendo seu ganha-pão? E ainda aproveitar a atual postura recessiva das comunidades cristãs para desaguar uma vigarice intelectual, demonizar a tal ala (e vilipendiar sua história), criando um maniqueísmo social que os próprios religiosos são acusados de criar?

Acusar as religiões é certamente a saída mais fácil do que sentar no banco das universidades e estudar sociologia. Em vez de pregar emancipação e esclarecimento político da parte de todos (no mundo todo), se coloca a teologia na berlinda, como a causa de todos os males. Que se ouça Max Weber, e sua primorosa obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, onde se mostra os desejos políticos perniciosos que emergem das “religiões”, e não o contrário. E deixe-se de lado um arcaico pensamento marxista, onde o apontamento de culpados, inimigos e vilões já gerou e ainda gerará – este sim – muita exclusão, sofrimento e morte.